Strange fruit – J.G. Jones e Mark Waid

Strange fruit é o título de uma das canções mais arrepiantes de sempre. Arrepiante porque na aparente estranheza do título escondem-se horrorosos episódios da história americana. A letra foi escrita por um professor judeu como protesto contra o racismo americano, que na época, dava origem inúmeros linchamentos, referindo-se “frutas estranhas” aos corpos de homens afro-americanos que ficavam pendurados nas árvores. O poema foi adaptado para música com a voz de Billie Holiday.

Southern trees bear strange fruit
Blood on the leaves and blood at the root
Black bodies swinging in the southern breeze
Strange fruit hanging from the poplar trees
Pastoral scene of the gallant south
The bulging eyes and the twisted mouth
Scent of magnolias, sweet and fresh
Then the sudden smell of burning flesh
Here is fruit for the crows to pluck
For the rain to gather, for the wind to suck
For the sun to rot, for the trees to drop
Here is a strange and bitter crop

Canção emblemática no género, dá título a esta banda desenhada onde se apresenta a mesma época e se demonstra a atitude territorial para com a população de origem africana. O ano escolhido é 1927, ano em que ocorreu uma gigantesca inundação em Mississippi, conhecida como a maior de que há registo. Esta catástrofe desalojou duas centenas de milhar de afro-americanos, que tiveram de permanecer durante muito tempo em campos provisórios. Estas condições precárias foram um forte factor na migração para o Norte do país onde poderiam ter outro tipo de empregos.

É sem dúvida uma época conturbada, carregada de tensões, que pede por um herói, alguém que possa aliviar o clima e impor respeito pela população afro-americana – os poucos heróis reais não são suficientes para impedir os linchamentos, as prisões injustas e os maus tratos recorrentes. Com o aproximar de uma catástrofe aumenta a raiva para com os afro-americanos que servem para expiar ansiedades.

Assim, do nada, num episódio crítico, surge um homem de pele escura, um colosso mudo mas inteligente, aparentemente apático e resistente às balas que salva um afro-americano de um enforcamento certo. A sua presença é tida como ameaçadora e é perseguido mas sem grande efeito, ou não se revelasse invencível, não agindo a não ser quando se torna necessário salvar alguém.

Realçando o clima de tensão e anulado os episódios mais violentos, Strange Fruit demonstra como algumas catástrofes poderiam ser minimizadas com recurso a estudos, destacando o pouco (ou nenhum) acesso que as populações afro-americanas tinham a livros, mesmo nas bibliotecas. Ainda que esta população estive liberta da oficial condição de escravo, estava presa pela falta de cultura e de oportunidades de trabalho, forçados a trabalhos pouco remunerados, vistos com ressentimento, e que causam episódios de raiva e vingança sempre que não seguem as instruções de algum homem branco. Em suma, um bode expiatório perfeito para frustrações.

Apesar de não ter gostado totalmente da forma como é usado o herói que se materializa, a história apresenta uma perspectiva próxima das tensões existentes retratando uma estação crítica, o que exacerbou reacções. Do ponto de vista gráfico é interessante e expressivo, realçando emoções e interacções.

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