Beowulf – Santiago García e David Rubín

Mítico herói, cuja história foi enaltecida e adaptada para os mais diversos formatos, com várias versões interessantes (inclusivé uma contada pela perspectiva do monstro, Grendel de John Gardner) tem, nesta banda desenhada, uma abordagem mais gráfica, rareando as falas e dando-se especial destaque às interacções sangrentas com o monstro, onde o guerreiro, procurando a glória eterna, se debate usando apenas as mãos contra o sanguinário Grendel.

A história é composta por três partes, uma primeira onde se apresenta a devastação causada pelo monstro e a chegada de um herói de um povo distante que se oferece para exterminar o monstro ou morrer a tentar. Aproveitando um novo ataque, Beowulf consegue ferir, gravemente o monstro que, regressa para o local de onde veio. O resultado é um troféu, parte do corpo do monstro, que Beofulf mantém a seu cargo,exposto.

Durante a noite ocorre novo ataque, desaparecendo o troféu. Sabendo-se que o monstro não poderia ter sobrevivido, percebe-se que existirá outro, mais esperto que o resolve vingar! Beowulf volta-se a preparar para novo confronto e segue as pistas até ao lago profundo, para o qual mergulha a fim de enfrentar nova besta.

Beowulf extermina os monstros. Tendo já acabado com os que existiam noutras localidades, enfrenta-os, por vezes sem armas, numa demanda por fama eterna e honra. Sobrevivendo a estas provas, o destino encarrega-se de o fazer rei, ocupação que não o satisfaz como as lutas de outrora. Pouco dado a políticas ou a influências e já de idade avançada, só volta a sentir o vigor de antigamente quando surgem relatos de um monstro escondido, um dragão que terá de ser enfrentado.

Beowulf é um volume num formato bastante maior do que é usual nos de capa dura da Image, um formato que pretende destacar o aspecto visual numa obra que tem poucas palavras e que recorre sobretudo a expressões e acção para se fazer entender. O papel utilizado na impressão também é um pouco mais brilhante do que é usual, escolha que nem sempre é a melhor por causa dos reflexos na página.

Visualmente, Beowulf é uma obra interessante, com páginas carregadas de acção que deixam espaço para se encontrar o fascínio pelos monstros e pelos heróis, mostrando um guerreiro destemido sem medo de morrer que ganha ímpeto perante o próximo desafio. O cenário é inóspito, o que justifica a pouca exploração do terreno e o surgir de monstros no desconhecido, monstros que se encontravam na imaginação do homem que assim justifica os acontecimentos, monstros que se tornam passíveis de enfrentar.

Ainda que o estilo de desenho não faça totalmente o meu género (optando pela imperfeição anatómica e tendo alguns desenhos pouco detalhados) Beowulf tem páginas fortes pelas cores e pela acção.

2 pensamentos sobre “Beowulf – Santiago García e David Rubín

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