The Real-Town Murders – Adam Roberts

A ideia que dá origem ao mundo de The Real-Town Murders não é original – um mundo em que existe uma realidade virtual na qual os seres humanos preferem passar a maioria do seu tempo consciente, presos à realidade apenas pelos seus corpos físicos que não podem deixar corromper. O elemento original desta história é o que faz mover a narrativa, um crime de resolução quase impossível em que um corpo se materializa no interior de um carro numa fábrica, um crime que esconde perigosos segredos e que levam a detective a temer pela vida.

Alma é uma detective no mundo real que vai aceitando pequenos trabalhos para se poder sustentar, a si e à sua companheira que foi infectada por um vírus personalizado que obriga a que Alma efectue um procedimento médico de quatro em quatro horas. Este procedimento nem sempre é o mesmo, e depende de uma série de parâmetros que Alma tem de analisar em pouco tempo, ou a companheira sucumbirá à doença que a impede de se ligar ao mundo virtual e que transformou o seu corpo numa imensidão impossível de deslocar.

Com as finanças comprometidas, Alma é chamada a uma fábrica de automóveis para descobrir como terá surgido o corpo no interior de um carro acabado de montar, sendo que, nem as câmaras nem a inteligência artificial que supervisiona a montangem, possuem qualquer pista de como terá sido transportado o corpo. Alma procura então a ambulância que transportou o corpo por forma a descobrir o estado em que este se encontrava, mas é aqui que começam as dificuldades – a enfermeira de serviço encontra-se de baixa e as poucas pistas que obtém valem-lhe uma ameaça.

Alma decide afastar-se do caso – mas as várias facções associadas ao aparecimento do cadáver irão pressioná-la, afastá-la da companheira ou incentivá-la das piores formas possíveis. Rapidamente a detective se vê num rodopio de assassinatos e teorias da conspiração – tudo isto num mundo tecnologicamente avançado, onde as várias técnicas de vigilância dificultam as fugas e a própria polícia possui motivações dúbias.

O resultado é um livro movimentado que aproveita a tecnologia que poderá existir num futuro próximo, para construir uma narrativa acelerada carregada de conspirações, investigações e reviravoltas. A premissa é bem utilizada, caracterizando um mundo negro quase cyberpunk, onde as novas fontes de poder político colidem com as antigas e diversos interesses se sobrepõem enquanto as multidões vivem fascinadas num mundo artificial e quase perfeito. Este possível futuro é envolvente e sonhador, mas facilmente se pode transformar em decadência humana e corrupção.

The Real-Town Murders é uma história de leitura compulsiva que possui alguns elementos interessantes em que se questionam vários dos avanços tecnológicos mas sem grande profundidade psicológica – nem se pretende.

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