García Lorca foi fuzilado. Entre as facções políticas da Guerra Civil Espanhola, Lorca (sem grandes traços políticos de qualquer sentido) acaba por ser catalogado na secção errada. Mas, afinal, quem era García Lorca? Se, outros livros, tentam encontrar o autor fazendo uma biografia, nesta banda desenhada, procura-se o espaço deixado pela sua morte – tanto na cidade, como nos amigos.

Figura afável, bem disposta e dotado de várias capacidades artísticas, Lorca é recordado como uma pessoa de fácil trato que brilha em qualquer meio artístico. Recolhe-se, assim, a percepção de breves conhecidos e de grandes amigos para criar a imagem de um homem que faleceu demasiado cedo.

O primeiro retrato é a memória de uma criança que viu um grande amigo desaparecer. Com o seu desaparecimento a família foge, pela noite, tentando sobreviver à passagem entre diferentes facções militares. O nome do escritor acaba como escondido por todos os que o conheceram e admiravam. Escondido por medo e por saudade, escondido por causa da Guerra Civil e pelos efeitos que teve na população espanhola.

De teor bastante diferente do outro livro do autor publicado em Portugal (O Fantasma de Gaudí), O Rasto de García Lorca baseia-se numa figura real e nas circunstâncias que rodearam o seu desaparecimento, bem como no espaço que deixou, no vazio entre amigos e conhecidos.