Como uma luva de Veludo forjada em Ferro – Daniel Clowes

Se David Lynch fizesse banda desenhada (para além do The Angriest Dog in the World) imagino que tivesse parecenças com este Como uma luva de veludo forjada em ferro. Os saltos narrativos, os focos em elementos absurdos e arrepiantes (mas simultaneamente alienados), a sexualidade presente mas pouco erótica, a realidade vista como uma má trip onde nem sequer falta uma banda sonora.

Como uma luva de veludo forjada em ferro começa com uma ida ao cinema em que a visualização de um filme fetichista (com o mesmo título da banda desenhada) leva a personagem a procurar a protagonista principal, a ex-esposa, Barbara Allen. Se tal início não fosse suficientemente estranho, até a busca sobre a ficha oficial do filme é surreal com elementos místicos colocados num local estranho e inverosímel.

A partir daqui a personagem é levada por uma sucessão de acontecimentos absurdos e grotescos, cruzando caminho com uma seita de propósitos obscuros. Não será o único. Na vila, onde procura a origem do filme, cruza-se com pessoas obsecadas por essa seita, procurando significados escondidos e pistas em tudo o que as rodeia. Estes não são os únicos elementos surreais. Encontramos cães sem orifícios, hippies que rodeiam um profeta, uma seita (mais uma) misândrica, deformações, desmembramentos, estranhos adereços médicos – tudo aceite quase de uma forma natural pelas personagens.

Como uma luva de veludo forjada em ferro estranha-se. Não é para ser lido esperando uma narrativa linear. Ou sequer como uma história terra a terra, lógica e facilmente preceptível. O título é uma referência ao filme Faster, Pussycat! Kill! Kill! conhecido pela sua violência, representação provocadora dos géneros e… um diálogo que visa envergonhar Raymond Chandler (ou assim o dizem as referências que apanho sobre o filme). Uma combinação estranha, no mínimo.

Mas há mais referências como “What’s the frequency, Kenneth”, uma frase expressa a Dan Rather numa agressão que, mais tarde,  se tornaria uma música. E existirão outras que não apanhei para pesquisar. Mas tão interessante quanto as influências denotadas pela história, é a influência da história noutros meios, tendo influenciado a criação de uma banda sonora.

Este volume foi publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público.

 

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