Últimas aquisições (Julho de 2020)

O isolamento social continua, bem como o teletrabalho. Menos tempo em transportes, menos tempo para sair e para chegar a casa, resultam num aumento de leituras. Consequentemente, há que repor alguma coisa, sobretudo na área da banda desenhada.

Entre os mais recentes moradores das minhas estantes encontramos o segundo volume de Gideon Falls, a série de terror de Jeff Lemire que é publicada em Portugal pela G Floy. O autor costuma escrever noutros registos e nunca o tinha visto no de horror, mas utiliza as mesmas ferramentas de outras histórias para trazer suspense, mistério e terror de forma perfeita.

Os outros dois livros da primeira foto foram oferta da editora. O Castelo dos Animais é uma das grandes leituras dos últimos tempos, apresentando uma versão do clássico de George Orwell. Também aqui os animais estão por sua conta, governados por quem é capaz de entregar o melhor discurso. Neste caso, o discurso é imposto à força, reforçando o medo de um possível ataque de lobos, teoricamente impedido pelo Touro e pelos seus cães. Assim o Touro governa, retendo para si o produto do trabalho de todos os animais, e trocando-os por mordomias.

Neste caso, a história centra-se numa gata que tem de deixar as crias sozinhas para ir trabalhar e garantir, assim, o alimento de todos. Esta visão, mais empática e realista, é explorada de forma sublime em desenhos expressivos. A cereja no topo do bolo é a autoridade absoluta ser minada lentamente pelo ridículo – já que a força bruta os restantes não a têm.

Depois de uma série inteira a subverter todos os clichés da fantasia em I Hate Fairyland, Skottie Young iniciou uma série fantástica que tem todos os elementos típicos de uma série fantástica – um jovem protagonista que parte numa demanda com um género de guia ao seu lado, por terras inóspitas onde enfrenta vários perigos. Os clichés estão lá, obviamente, mas bem usados, sem demoras em cada um dos cenários por onde passa o herói.

Londonia, lançado recentemente pela Tartarus Press, é um livro belíssimo que apresenta uma distopia num futuro pouco distante. Em Londres, no ano de 2073, a tecnologia colapsou. Uma elite isola-se, enquanto os restantes têm de fazer pela vida em condições degradantes.

Entre o desenho e a premissa, esta série pareceu adequar-se aos meus gostos, razão pela qual mandei vir logo os primeiros volumes. Já comecei a ler e não estou arrependida. Apesar de haver algumas imperfeições narrativas, e de a premissa não ser propriamente nova, estou a achar piada ao desenvolvimento. Em Eclipse, a luz do sol passou a provocar queimaduras graves, levando à morte em poucos segundos.

Aquando da mudança de paradigma milhões de seres humanos morreram. Os sobreviventes constroem uma série de subterrâneos onde se encontra tudo o que podem necessitar. À superfície vai-se durante a noite, até o sol se levantar. Alguns, raros, podem também deambular pela superfície durante o dia, recorrendo a pesados fatos que prendem os movimentos.

Até agora é uma série movimentada, que está a desenvolver de forma satisfatória a premissa em que se baseia, acrescentando elementos derivativos dessa premissa dentro da lógica necessária para a construção de um mundo coerente.

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