Frogcatchers – Jeff Lemire

Apesar de ser uma história de um dos meus autores favoritos de banda desenhada, e de todo o hype em torno de Frogcatchers, achei que a história era uma repetição de outras do autor. Mais especificamente, recorda-me The Underwater Welder pela forma como desenvolve uma narrativa introspectiva, centrada numa só personagem e o faz olhar para a própria vida sob várias perspectivas.

Talvez por esta comparação com outra história, talvez por ter percebido (desde o primeiro momento) qual era o twist, não fiquei fascinada com Frogcatchers. Quando apresenta uma história com várias narrativas em paralelo, movidas por algum factor relevante, Jeff Lemire consegue destacar-se pela forma como nos faz sentir empatia para com as personagens. Aqui, percebendo o que ele pretendia, não fiquei rendida como é usual – apresenta-se uma urgência que tem, por detrás, um motivo cliché e expectável. Mas mesmo assim, Lemire consegue cativar a nossa simpatia em poucas páginas.

Em Frogcatchers acompanhamos um senhor que acorda num hotel. Este hotel não lhe é totalmente desconhecido. Na porta do quarto, do lado de fora, encontra um sapo morto. Deambulando, encontra apenas um rapaz que lhe explica a razão de estar escondido numa cave – os sapos estarão à sua procura e ali, naquele local, se salvaguarda de enfrentar o rei dos sapos.

De contornos semi fantásticos, esta pequena história é, na realidade, uma viagem de exploração interior. Nada que não se perceba logo na primeira página, mas que se apresenta de forma demasiado simplista e, consequentemente proporciona uma viagem curta sem grandes novidades. Ou, pelo menos, foi assim que a percepcionei.

Para quem não gosta do desenho de Jeff Lemire será, sem dúvida uma história a evitar, dado que, neste volume, se apresenta ainda mais “rascunhada” do que é usual. O desenho a lápis é pouco polido, ainda que exista uma diferença relevante entre o desenho do ambiente (mais certinho) e o desenho das personagens (mais grosseiro). As cores são raras e encontram-se nas páginas que acompanham um homem no hospital.

Ainda assim, é uma boa leitura. Se, inicialmente, pareço estar a denegri-la demasiado é por comparação com outros trabalhos do autor, bastante mais complexos e desenvolvidos (na componente narrativa) e mais compostos (na componente gráfica).

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