Eis o terceiro e último volume de The Luminaries, uma série YA de Susan Dennard, que contém uma premissa relativamente simples e funcional, e que, apesar de se centrar em personagens jovens, se foca mais noutros conflitos do que as usuais preocupações adolescentes. Sendo uma leitura fluída e carregada de acção, tem um mistério curioso que faz parte do enredo central, e que vai sendo desvendado durante a progressão da trilogia.

No mundo aqui apresentado, todas as noites, nas florestas, um nevoeiro sinistro se eleva, materializando pesadelos em monstros reais. Estas criaturas ameaçam as sociedades humanas quebrando a frágil linha entre sonho e terror. Tal como os monstros se elevam, todas as noites os Luminaires patrulham, matando os monstros e mantendo-os restritos às florestas. Os Luminaires encontram-se divididos em famílias, que possuem características e papéis diferentes.

A história tinha-se iniciado com Winnie prestes a atingir a idade na qual deverá fazer o teste como caçadora. No entanto, ninguém espera que o faça pois a família foi colocada de parte quando se descobriu que o pai era um traidor, uma espécie de bruxo que usa a energia mágica existente na floresta. Ainda assim, Winnie enfrentou os perigos de fazer o teste sem preparação, conseguiu destacar-se e ganhar notoriedade, principalmente porque circulou na comunidade um vídeo dela com um lobisomem.

Ainda que, com as suas acções, tenha conseguido recuperar o papel da família na comunidade (menos do pai que se encontra ausente, fugido após a acusação), Winnie encontra-se entre vários segredos – o do namorado que pode se mortal, e as pistas deixadas pelo pai para desvendar um mistério que pode colocá-la como suspeita ajudar a figura paterna. Paralelamente, Winnie vai ter de entrar na floresta várias vezes, durante a noite, explorando-se a dinâmica dos diferentes pesadelos que surgem.

The Whispering Night fecha as pontas soltas que foram surgindo ao longo da trilogia, ainda que exista uma componente que me parece demasiado simplista, na forma como, no final, se aceitam determinadas acções e identidades. Mas, considerando o contexto e o público alvo, a trilogia consegue apresentar-se como uma leitura interessante, onde se destaca a construção do mundo e o desenvolvimento dos vários monstros.

Novamente, apesar do foco estar em personagens jovens, adolescentes, as preocupações que expressam estão mais associadas ao seu Universo do que às dinâmicas de escola entre pares, havendo algum romance, mas bem contextualizado, e nunca assumindo o papel central da narrativa. Existem, no entanto, alguns detalhes menos verosímeis (como a excessiva centralização na personagem, que acaba por ter demasiadas atenções sobre si), mas que não minam a totalidade da história contada.

Em suma, a trilogia é de agradável leitura, com uma narrativa fluída e engraçada, centrada numa personagem que se preocupa e responsabiliza demais. Um dos pontos mais positivos estará no mundo construído, onde existem detalhes interessantes. Diria que o mundo poderia ser aproveitado para contar outras histórias, sobretudo mostrando outras perspectivas e outros monstros.