I Hate Fairyland – Vol. 1 – Skottie Young

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Raramente leio banda desenhada em formato digital, mas com esta capinha e este título, a curiosidade foi maior e recebi a cópia pelo NetGalley. Seja qual for a expectativa com que se fique ao ver a capa, não vamos estar preparados para o interior onde cenas cómicas, irónicas e carregadas de violência se sucedem num mundo mágico, fofinho, querido e carregado de cores infantis.

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Como qualquer história de encantar, esta menina foi parar a um mundo fantástico e fofo, cheio de coisas mágicas e agradáveis. Para voltar a casa, só tem de cumprir uma missão e descobrir a chave para sair… mas…

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E a criança inocente e querida tornou-se num adulto psicótico, frustrado e violento, em corpo de criança. Gertrude tem muito pouco jeito para adivinhas e rimas e falha episódio após episódio confundindo objectivos pelo que vai importunando todos os reinos por onde passa, chacinando quem encontra pela frente. Nem a Lua se safa. E quando se apercebe que o acto teve, como testemunhas as estrelas… bem… a solução é pegar numa metralhadora e criar uma chuva de estrelas.

A Rainha está farta! Mas não pode interferir directamente. Não quer dizer que outros não possam ser recompensados se livrarem o reino de Gertrude. E é assim que alguns guerreiros tentam caçar a criança raivosa mas sem grande proveito – os corpos acumulam-se.

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Slug life

A solução para a paz no reino encantado pode passar por admitir outra criança – aquela que não escapar integrará os cidadãos do reino e, como tal, ficará desprotegida. A nova criança deita florzinhas por todos os orifícios do corpo e é rápida a ultrapassar os obstáculos. Mas Gertrude tem um plano maléfico para virar o jogo a seu favor…

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Esta foi uma das melhores surpresas dos últimos tempos – Gertrude está farta de tanta cor infantil que lhe queima os olhos, farta de docinhos e outras comidas açúcaradas. Uma aventura querida que poderia ter sido engraçada nos primeiros dias torna-se num suplício a que a criança (agora adulta) responde com violência e frustração.

O enredo é simples e desenvolve-se logicamente apesar da demência que rodeia cada acção. O cenário inocente contrasta com a frustração de Gertrude, um adulto em corpo de criança. Destacando este contraste temos as imagens, de cores infantis onde distinguimos todos os elementos que fascinam qualquer criança mas em episódios de carregada violência.

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Após a chacina dos faunos zombie

A linearidade do enredo é, desta forma, completada pelos detalhes que fascinam o leitor, tornando cada nova página imprevisível e cómica, carregada de elementos anti-cliché, em referência às mais variadas histórias clássicas do género.

3 pensamentos sobre “I Hate Fairyland – Vol. 1 – Skottie Young

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