69 – Libertem os Velhos – Maria Roque Martins – Libertem os Velhos é uma agradável leitura de ficção científica, que nos leva a um futuro provável, ao mesmo tempo que exagera alguns elementos que já existem actualmente, para criticar quer este futuro, quer a sociedade que conhecemos. Mas mais do que desenhar um futuro, cria personagens e desenvolve um enredo que se torna interessante e envolvente. Neste futuro imaginado, (quase) todos os seres estão ligados a um sistema público de informação, o que lhes permite viver ainda mais no imediatismo da informação de rápido consumo. Alguns quase deixam de ter opiniões fundamentadas, agindo de acordo com as manias da altura e com a instigação de influencers;

70 – O Estrangeiro – Jacques Ferrandez – Adaptação para banda desenhada do romance clássico, centrado num homem que parece apático em todas as situações, tanto perante a morte da mãe, como com o envolvimento com a namorada. Quando, no seguimento de se envolver com más companhias, comete um assassinato, não se antecipa que toda a sua apatia será usada para o caracterizar como contra-natura;

71 – O Verão em que Hikaru Morreu – Vol. 4 – Mokumokuren – Cada vez mais sombrio, mas também cada vez mais dúbio. Hikaru desapareceu na montanha aparecendo como se nada fosse alguns meses depois. Apresentando algumas diferenças de comportamento, é nitidamente uma pessoa diferente, algo que é percebido pelo seu melhor amigo. Ainda assim, entre os dois estabelece-se um relacionamento estranho que vai influenciando outros na mesma vila do interior. A história vai apresentando alguns elementos do folk japonês, com estranhas manifestações sobrenaturais;

72 – The Saint’s Magic Power is Omnipotent: The Other Saint – Vol. 1 – Aoagu, Yuka Tachibana, Yasuyuki Syuri – Depois de ler parte da série principal e enquanto aguardava pelo próximo volume, resolvei pegar na série spin-off que decorre no mesmo Universo. A história principal decorre num Universo de contornos medievais onde a magia existe e é exercida por humanos, mas também causa o surgir de diversos monstros perigosos. Neste sentido, nesse mundo, executam uma cerimónia que tem como objectivo chamar um santo, uma pessoa de outro mundo (neste caso semelhante ao nosso) que poderá ter maiores capacidades mágicas. Neste caso a cerimónia traz duas pessoas, Sei e Aira. A série principal centra-se em Sei, uma mulher jovem que, de alguma forma, quase é ignorada mas se revela com elevados poderes mágicos, enquanto que esta série se centra em Aira, uma adolescente que é protegida pelo príncipe e que, apesar de apresentar bons poderes mágicos vai ficando aquém das expectativas. Ambas encontram-se fora do seu mundo e enfrentam acolhimentos e desafios diferentes. No entanto, a história de Aira vai centrar-se demasiado em Sei, expondo pouco mais do que já tinha sido percebido pelos episódios na outra série. A caracterização de Aira também é mais escassa e mesmo na série onde deveria ser a personagem principal desenvolve-se como secundária, o que não deixa de ser uma pena, dado que a série tinha potencial para apresentar mais elementos curiosos sobre o mundo que explora.