Ainda que não some nomeações ou prémios (pelo menos por enquanto), Grace Curtis tem tido algum sucesso no meio da ficção especulativa com histórias de Space Opera ou fantásticas. Este Floating Hotel foi-me recomendado pela IA (entre os livros que tenho por ler) que estou a treinar numa das primeiras interacções, referindo-o como FC humanista de complexidade média, bom para alternar entre leituras mais complexas.

A história decorre sobretudo a bordo de uma nave que opera como hotel de luxo. Este hotel flutuante percorre uma rota fixa há longos anos, rodando entre pontos previstos – detalhe que será fulcral para o desenlace do grande mistério que vai apresentando. Apesar de ser um hotel de gama alta, percebe-se que, na realidade, a maioria dos clientes possui menos posses do que quer aparentar, fazendo de conta de uma importância que não tem, ou tendo caído da graça financeira onde se encontravam antes.

Cada capítulo vai apresentando uma personagem diferente, mostrando um pouco das suas circunstâncias passadas e das suas motivações presentes. Várias destas personagens têm algo a esconder, ou utilizando o hotel como fachada para as suas actividades. E é assim que vamos percebendo que uma teia maior os envolve, constituindo peças de um puzzle, um mistério onde se cruzam interesses económicos e políticos, espiões, intenções veladas e segredos obscuros.

Acima de todos encontra-se um Império distópico. Ainda que, à primeira vista, o contexto pareça um normal Império intergaláctico, vamos apanhando referências a um Imperador que se mantém perpetuamente, recorrendo a tratamentos e a engenharia genética, e que, com a progressão no cargo, desenvolveu paranóias. Não é, assim, de estranhar, que exista uma polícia secreta e espiões, bem como temas proibidos (qualquer coisa que refira alienígenas, por exemplo) e um controlo extremo dos meios de comunicação. É, sobretudo, um Império em degradação, que permanece pela opressão e instigação do medo, ainda que de foram cirúrgica.

Floating Hotel destaca-se pelo cenário – um hotel onde se cruzam várias personagens – e pelo puzzle que desenvolve. Sabe-se que existe alguém que emite comunicados rebeldes e que estará a ser caçado pelo Império. Sabe-se, também, que essa pessoa estará associada ao hotel, mas não de que forma. A sua identidade é desconhecida, e é neste seguimento que entram em acção espiões assassinos que possuem uma forma muito própria de pensar.

Sendo uma boa leitura, que desenvolve conceitos interessantes, Floating Hotel não consegue captar grande interesse para a maioria das suas personagens. Outros livros, como The Vanished Birds, fizeram este saltitanço entre personagens de forma mais interessante, conseguindo cativar em poucas linhas. Este é, para mim, o ponto fundamental para não considerar esta leitura como uma das melhores dos últimos tempos, ainda que considere que tenha sido uma boa história.