Só recentemente me apercebi que a duologia Clocktaur War e que a trilogia Swordheart decorrem no mesmo Universo ficcional de Saint of Steel – e estando à espera do próximo volume desta série (sem data anunciada) rapidamente corri a ler este Clockwork Boys, primeiro volume da duologia Clocktaur War. Não desapontou – o mundo é o mesmo, existindo alguns detalhes que espero ver respondidos aqui.

A história centra-se em Slate, uma falsificadora profissional condenada por traição a quem foi incumbida uma missão suicida onde deve reunir um grupo de meliantes para espiar as mais recentes armas de guerra do inimigo. O livro inicia-se com Slate a entrar numa das mais perigosas prisões da cidade para escolher um condenado por assassínio. Com base na sua alergia à magia acaba por escolher Caliban, um paladino condenado pela morte de inúmeros freiras, que supostamente teria sido possuído por um demónio. A equipa conta ainda com Brenner, um assassino profissional e Learned Edmund, um jovem sacerdote e estudioso.

Desde o início que se revelam algumas tensões entre os membros do grupo. Slate sente-se atraída por Caliban, e Brenner (que conhece muito bem Slate) pica frequentemente o paladino, numa espécie de jogo para provar quem é o mais macho da equipa. Estas tensões proporcionam algumas interacções cómicas e perigosas, fazendo com que o foco não esteja só na missão, mas dando também algum palco para o desenvolvimento das diferentes personalidades. Cada personagem tem diferentes capacidades e estas irão coordenar-se em equipa para se tentarem atingir os objectivos traçados.

O percurso que escolhem revela-se afastado da civilização, o que lhes possibilita passar despercebidos em momentos chave, mas que também os leva por territórios onde monstros e demónios pululam, resultando em interacções curiosas, de onde têm de escapar rapidamente. Mas são também estes confrontos inesperados que lhes permitem captar informação inédita que os irá ajudar na missão supostamente suicida.

Ainda que o grupo seja composto sobretudo por criminosos desesperados (forçados a uma missão onde o mais provável é morrerem) existe companheirismo entre os dois membros originais (Slate e Brenner) e denota-se uma espécie de código que permite a acção honrosa apesar da ocupação de cada um. Olhando especificamente para Caliban, o paladino agiu no seguimento de uma possessão, e apesar desse facto, assume uma postura culposa – elemento que veremos frequentemente entre os paladinos da série Saint of Steel.

A atracção que Slate sente por Caliban funciona para proporcionar episódios com tiradas mais cómicas, onde se sente o constrangimento da personagem. Nitidamente poderão ser os primeiros passos para algum tipo de envolvimento (fórmula que a autora segue mais tarde nos volumes da série dos paladinos), mas também os passos para que as personagens encontrem um caminho após a missão, potencialmente seguindo por um caminho redentor. Ainda assim, este elemento quase romântico (que neste livro é mais umas raras tiradas sobre a atracção sentida por Slate) é secundário à narrativa.

Sendo este o primeiro volume da duologia ainda não apresenta uma conclusão, havendo poucas explicações para o mundo e para os autómatos que são encontrados – elemento que poderá ser mais explorado no segundo volume (assim espero). Em suma, Clockwork Boys é uma leitura fluída que alterna alguma acção e tensão com diálogos e tiradas cómicas, que dá espaço para algum desenvolvimento das personagens ao mesmo tempo que vai fornecendo pistas sobre o que procuram descobrir. Não é o melhor livro da autora, mas tem alguns dos elementos que lhe reconheço noutras histórias e que me levam a gostar de a ler.