Eis o segundo volume da trilogia The Chronicles of Osreth, que se passa no mesmo mundo ficiconal que The Goblin Emperor. Se já tinha gostado dessa história, esta que se centra numa Testemunha dos Mortos colmata os elementos que poderiam ser considerados menos positivos por alguns leitores, com menos foco na política e etiqueta da corte, e mais acção. Estou a gostar tanto desta série que corri a pegar no segundo volume, algo que, depois de tantas séries, trilogias e tetralogias não costuma ser usual. E depois deste, já meti à mão os próximos para continuar.
Tal como no primeiro volume da trilogia, The Witness of Death, este centra-se em Thara Celehar, começando com dois pedidos de serviço: um para investigar, e outro para identificar o corpo. O primeiro trata-se de uma marquesa que terá aparentemente falecido de causas naturais, mas cujo esposo não acredita após encontrar uma nota ameaçando-a. O segundo é uma rapariga órfã que tendo ficado grávida se decidiu suicidar. A investigação do possível homicídio leva-o a contactar com uma casa para raparigas órfãs, onde alguém lhe pede ajuda através de um bilhete apressadamente recebido.
Mas desta vez não estará sozinho, sendo-lhe atribuído uma aprendiz, Velhiro, uma viúva que descobriu recentemente ter a capacidade de falar com os mortos. Thara terá assim de habituar a sua rotina, bem como os métodos de ensino – mais do que falar com os mortos é necessário saber ouvir os vivos, considerar os seus pedidos, e investigar as mortes quando lhe é solicitado. Apesar de já não ser nova, Velhiro acolhe com agrado novos objectivos de vida, acompanhando Thara na maioria das suas missões, aprendendo as rezas e como descobrir a informação necessária dos mortos.


No seguimento do primeiro volume, a história também desenvolve um pouco das circunstâncias pessoais de Thara, aprofundando os traumas que o levam a evitar o sono (e os consequentes pesadelos), bem como o a forma com interage com alguns dos amigos que fez no primeiro volume – contactos que serão essenciais para o desenvolvimento deste segundo e das investigações em que se envolve, algumas bastante perigosas. Thara segue a sua vocação, mesmo a custo pessoal, servindo todos os que lhe pedem.
Dado o tema, a história apresenta vários elementos sobre a morte e os respectivos mitos, sem os detalhar à exaustão, mas dando a entender que existem diferentes facções religiosas que seguem diferentes práticas. Este conhecimento vai ajudá-lo nas investigações, e na forma como consegue ajudar as famílias a lidar com o luto, rezando, sugerindo, ou simplesmente fornecendo informações.
Thara trabalha para os mortos e para os vivos. Mas é sobretudo as mortes dos mais pobres (e expostos aos caprichos dos ricos ou nobres) que o incomodam, sobretudo quando se tratam de homicídios que ficam por investigar por não existir ninguém que peça a sua análise. Como é o caso dos órfãos ou outras pessoas sem familiares – circunstância que acabará por contornar graças às suas amizades. Mas mais do que as mortes que ficam por investigar, as perguntas de Thara levam-no, neste volume, a perceber um esquema de aproveitamento da posição dos órfãos, uma posição de susceptibilidade e dependência da benfeitoria que se torna chantagem.
The Grief of Stones é, tal como o volume anterior, uma história envolvente, centrada numa personagem que sacrifica o seu bem estar pessoal e político para responder aos pedidos que recebe – ainda que raramente seja bem recebido, dado que, para alguns, traz a morte. Apesar de ter de navegar nas tramas de conhecimentos e ter de ter cuidado para não ferir susceptibilidades, Thara vai agindo com cuidado e dedicação. A premissa faz com que se sucedem episódios de acção ou de quase terror, com confrontos humanos e sobrenaturais. O resultado é uma leitura movimentada, fantástica e envolvente que aconselho a todos que queiram explorar um novo mundo fantástico.
