Este ano tem sido carregado de boas surpresas! E eis mais um livro que, de forma alguma, esperava ver publicado em Portugal, neste caso, pela Bertrand. A short stay in hell (título irónico, dado que de curta a estadia tem pouco) coloca uma hipótese simples para se desenvolver. E se quem não seguir a religião certa fica num limbo quase eterno? O resultado, apesar de ter poucas páginas e apresentar a perspectiva de um só homem, é intelectualmente interessante, demonstrando uma ansiedade palpável numa eternidade que é, em demasiadas formas um Inferno – mas não naquela que é popularizada. Sem fogos nem torturas às mãos de demónios, a monotonia da eternidade onde o conforto é uma realidade e os desafios são limitados, torna-se, ela própria o maior pesadelo imaginável.
Deixo-vos com a sinopse:
Acordas morto. E adivinha? Estás no inferno. Sem fogo eterno, sem gritos, sem escuridão. Apenas uma biblioteca de prateleiras e livros intermináveis: todas as combinações possíveis de letras, todas as histórias que alguma vez podiam existir. Algures nestas estantes está o livro da tua vida, cada momento registado exatamente como aconteceu. A tua tarefa é simples: encontrá-lo.
Geólogo, mórmon e homem de família absolutamente normal, Soren sempre acreditou que se reuniria com os seus entes queridos após a morte numa espécie de paraíso por toda a eternidade. É então que morre.
Quando acorda, descobre que foi condenado por um Deus de quem nunca ouviu falar a um inferno cujas dimensões mal consegue compreender: uma vasta biblioteca da qual só poderá escapar se encontrar o livro que contém a história da sua vida. Mas assim que inicia a sua tentativa de fuga, compreende a verdadeira escala da sua prisão. Está preso numa biblioteca de Babel.
Neste pequeno clássico sobre a nossa existência, que se tornou um sucesso viral, Steven L. Peck apresenta-nos uma visão subversiva da eternidade, levando o leitor numa viagem por um mundo onde tudo aquilo em que todos acreditavam se revela errado.
