Novidade: O Tesouro do Cisne Negro – Paco Roca e Guillermo del Corral Van Damme

Começa no próximo dia 4 (quinta-feira) a nova colecção Novela Gráfica que é publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público. Esta colecção traz algunas autores já conhecidos do púbico português. Eis o alinhamento da colecção, bem como alguns detalhes do primeiro volume, O Tesouro do Cisne Negro:

  1. O Tesouro do Cisne Negro de Paco Roca e Guillermo del Corral Van Damme, 4 de Julho
  2. Frango com ameixas de Marjane Satrapi, 11 de Julho
  3. A Febre de Urbicanda, Benoit Peeters e François Schuiten,18 de Julho
  4. O rasto de García Lorca, El Torres e Carlos Hernández, 25 de Julho
  5. Monika de Guillem March e Thilde Barboni, 1 de Agosto
  6. Gorazde: Zona Protegida de Joe Sacco, 8 de Agosto
  7. Flex Mentallo: Herói do Mistério de Grant Morrison e Frank Quitely 15 de Agosto
  8. Dias sombrios de Juan Escandell e Lluís Ferrer Ferrer, 22 de Agosto
  9. Como uma luva de veludo forjada em Ferro de Daniel Clowes, 29 de Agosto
  10. As Serpentes Cegas de Bartolomé Seguí e Felipe Hernández Cava, 5 de Setembro
  11. O Número: 73304-23-4153-6-96-8 de Thomas Ott, 12 de Setembro
  12. Neve nos bolsos de Kim, 19 de Setembro
  13. Café Budapeste de Alfonso Zapico, 26 de Setembro

Neste primeiro volume, O Tesouro do Cisne Negro, Paco Roca, ilustrador e Guillhermo Corral, diplomata de carreira e escritor, contam a história de La Merced, um barco espanhol naufragado no século XIX, encontrado por “piratas” americanos no século XXI, e recuperado pelo estado espanhol depois duma longa batalha judicial.

Esta apaixonante aventura marinha teve o seu início em Maio 2007, quando a principal empresa norte-americana de caça de tesouros e barcos naufragados, captou a atenção da opinião pública ao anunciar a descoberta no fundo do mar do espólio de um barco que fazia a rota entre Espanha e as colónias na América Latina. O tesouro era composto por 500 mil moedas em ouro e prata, lingotes de cobre e estanho, caixas de ouro… um total de 17 toneladas.

Segundo a limitada informação difundida pela empresa a descoberta corresponde a uma misteriosa embarcação, o Cisne Negro. No entanto há indícios que apontam para outro navio, o espanhol Nuestra Señora de las Mercedes, no livro apresentado como La Merced, que foi afundado pelas tropas inglesas quando viajava de Montevideu para Cádis, a 5 de Outubro de 1804 na Batalha do Cabo de Santa Maria. A partir desta revelação, inicia-se uma fascinante batalha jurídica e política entre os tribunais dos EUA e de Espanha. Quem era o proprietário do tesouro? Espanha reclama-o como propriedade do património espanhol.

Paco Roca e Guillermo Corral fazem uma homenagem às aventuras clássicas, e resgatam a nossa história mais recente do esquecimento.

O Farol / O jogo lúgubre – Paco Roca

A presença de Paco Roca na colecção Novela Gráfica (publicada pela Levoir em parceria com o jornal Pùblico) já começa a ser habitual. Felizmente. Do autor têm sido publicadas várias obras, e desta vez são publicadas duas histórias num só volume – duas histórias algo diferentes do que é usual do autor, sobretudo a segunda, de carácter mais fantástico, ainda que possua traços reconhecíveis do autor.

A primeira história começa com os tempos conturbados da guerra civil espanhola centrando-se num rapaz em fuga do país para não ser fuzilado. A corrida dirige-o para o mar e quase se afoga mas é salvo por um faroleiro que sobrevive pescando o que o mar lhe traz. Esquecendo, lentamente, as guerras civis, como numa espécie de pausa, paraíso fora do plano terreno, o rapaz restabelece-se e aceita os sonhos do velhote numa cumplicidade de fascínio e esperança. O velhote sonha com o dia em que partirá para uma ilha, onde várias maravilhas o esperam.

A segunda história é uma história de horror. Algo pouco típico do autor, mas que ele própria indica como sendo das suas primeiras obras, baseando-se numa antiga banda desenhada que encontrou. Aqui tenta reproduzir o aspecto facsimilado dessa antiga banda desenhada e apresenta os pesadelos que assombram um jovem por ter vivido na casa de um artista demoníaco.

Ainda que o teor da história seja bastante diferente do que é usual para Paco Roca, reconhece-se a forma como aborda personagens e como desenvolve a história com pequenos detalhes que podem ser inferidos. A história quase parece ter duas camadas distintas. Uma que diz respeito ao trabalho do jovem como assistente do artista (que lhe provoca pesadelos e insónias) e outra que o relaciona com uma rapariga da aldeia com a qual simpatiza.

Na primeira história fala-se de esperanças vãs e sonhos vazios, perspectivas que os homens constroem para não enfrentarem as adversidades com que se deparam – o farol torna-se no local da espera eterna, onde o tempo se suspende. Por sua vez, no segundo conto, o tempo é pesado, corre lentamente e os pesadelos (reais e sonhados) possuem uma elevada carga psicológica. Aqui o local onde se encontra a personagem sobrecarrega-se de más experiências.

Ainda que não estejam entre as melhores do autor, são duas histórias bastante compostas, agradáveis e que conseguem transmitir grande empatia para com as personagens.

Este volume, contendo as duas histórias de Paco Roca, foi publicado pela Levoir na colecção Novela Gráfica em parceria com o jornal Público.