O Farol / O jogo lúgubre – Paco Roca

A presença de Paco Roca na colecção Novela Gráfica (publicada pela Levoir em parceria com o jornal Pùblico) já começa a ser habitual. Felizmente. Do autor têm sido publicadas várias obras, e desta vez são publicadas duas histórias num só volume – duas histórias algo diferentes do que é usual do autor, sobretudo a segunda, de carácter mais fantástico, ainda que possua traços reconhecíveis do autor.

A primeira história começa com os tempos conturbados da guerra civil espanhola centrando-se num rapaz em fuga do país para não ser fuzilado. A corrida dirige-o para o mar e quase se afoga mas é salvo por um faroleiro que sobrevive pescando o que o mar lhe traz. Esquecendo, lentamente, as guerras civis, como numa espécie de pausa, paraíso fora do plano terreno, o rapaz restabelece-se e aceita os sonhos do velhote numa cumplicidade de fascínio e esperança. O velhote sonha com o dia em que partirá para uma ilha, onde várias maravilhas o esperam.

A segunda história é uma história de horror. Algo pouco típico do autor, mas que ele própria indica como sendo das suas primeiras obras, baseando-se numa antiga banda desenhada que encontrou. Aqui tenta reproduzir o aspecto facsimilado dessa antiga banda desenhada e apresenta os pesadelos que assombram um jovem por ter vivido na casa de um artista demoníaco.

Ainda que o teor da história seja bastante diferente do que é usual para Paco Roca, reconhece-se a forma como aborda personagens e como desenvolve a história com pequenos detalhes que podem ser inferidos. A história quase parece ter duas camadas distintas. Uma que diz respeito ao trabalho do jovem como assistente do artista (que lhe provoca pesadelos e insónias) e outra que o relaciona com uma rapariga da aldeia com a qual simpatiza.

Na primeira história fala-se de esperanças vãs e sonhos vazios, perspectivas que os homens constroem para não enfrentarem as adversidades com que se deparam – o farol torna-se no local da espera eterna, onde o tempo se suspende. Por sua vez, no segundo conto, o tempo é pesado, corre lentamente e os pesadelos (reais e sonhados) possuem uma elevada carga psicológica. Aqui o local onde se encontra a personagem sobrecarrega-se de más experiências.

Ainda que não estejam entre as melhores do autor, são duas histórias bastante compostas, agradáveis e que conseguem transmitir grande empatia para com as personagens.

Este volume, contendo as duas histórias de Paco Roca, foi publicado pela Levoir na colecção Novela Gráfica em parceria com o jornal Público.

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