Nascido em Lisboa em 1943, João Aguiar licenciou-se em Jornalismo pela Universidade Livre de Bruxelas. Trabalhou como jornalista não só na imprensa, como na rádio e na televisão e iniciou a sua carreira literária em 1984 aos quarenta anos com a obra A Voz dos Deuses, que se tornou um sucesso editorial. Abandonou a carreira jornalística em 1994, e a partir daí vários livros se seguiram, como O Trono do Altíssimo, a Hora de Sertório ou a colecção juvenil O Bando dos 4.

Dezoito anos após o lançamento do primeiro livro, impulsionado por uma visita ao Museu Municipal de Etnografia e História, João Aguiar retoma à época de Viriato no romance histórico Uma Deusa na Bruma.
Neste livro a história não se centra em Viriato, mas em Túrio que vive em Tarróbriga. Filho do chefe, Túrio é um rapaz fraco que cedo revela a capacidade de falar pelos Deuses – apesar de renegado pelo pai por não possuir as capacidades guerreiras do irmão, Túrio consegue ser aceite e criar o seu próprio lugar.

De início promissor, a história desenvolve-se demasiado em torno da personagem principal, em todos os pormenores da vida deste – bem melodramáticos. O Dramatismo inicialmente comedido, torna-se cada vez mais pesado, envolvendo uma personagem demasiado calma e submissa que se deixa eternamente levar pelos acontecimentos. Os pormenores fantasiosos abundam, mais que não seja pela intervenção dos deuses – mas não são estes que nos fazem franzir o sobreolho, mas as sucessivas catástrofes na vida de Túrio. O final, pareceu a maneira mais fácil de terminar a história que já se alongava em penúria.

Nem tudo são, no entanto, espinhos. A leitura flui facilmente e a história até consegue ser agradável não fora o culminar da história e o exagero na sucessão de infortúnios.