A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón

Carlos Ruiz Zafón é um escritor espanhol que se terá iniciado com ficção juvenil. A Sombra do Vento é o seu primeiro livro para um público mais maduro. Este foi recebido com um sucesso estrondoso em diversos países, e encontra-se já publicado um segundo livro, O Jogo do Anjo, que antecede A Sombra do Vento.

Em Portugal A Sombra do Vento foi publicado pela editora Dom Quixote, que prevé o lançamento de O Jogo do Anjo.

A Sombra do Vento inicia-se com um episódio que irá ser a origem de todo o enredo: o pai de Daniel Sempere leva-o a conhecer o cemitério dos livros, um local onde se guardam as últimas cópias de obras que se pensava estarem há muito desaparecidos.

A Daniel é oferecida a oportunidade de escolher um exemplar e ele pega em A Sombra do Vento, um romance de Julián Carax, uma personagem misteriosa que se terá perdido algures em Paris. Os romances de Julian Carax são muito raros e todas as cópias desapareceram dos alfarrabistas, perseguidos por uma arrepiante personagem que os queima.

É com este livro que Daniel conquista a amizade de Mr. Barceló, ao se negar a vender-lhe o livro por avultado valor, mas comparecendo todas as tardes para ler a história à filha cega, Clara Barceló. Daniel desenvolve um amor impossível por Clara, e numa noite de desgosto amoroso conhece a estranha personagem que pretende queimar os livros, assim como um mendigo que o ajuda, Fermín. Este tornar-se-á no ajudante da livraria do pai de Daniel, um ex-espião e conquistador de mulheres, uma personagem rocambolesca que dá o toque de humor à história.

De leitura compulsiva, novas camadas da história são reveladas com a pesquisa que Daniel e Fermín empreendem em busca da história por detrás do livro e do autor, Julián Carax. Este terá sido um jovem escritor com uma vida trágica, suportado por grandes amigos de infância, mas destruído por um amor impossível que foi alvo de inimigos implacáveis. A Sombra do Vento não fala só de desgostos amorosos e mistérios por desvendar, mas também de livros – do seu poder em captar os leitores e em alterar as suas vidas ao lhes despertar a sede por mais histórias semelhantes.

Entre o romance e o mistério, a história decorre durante a ditadura de Franco, tendo por isso um ambiente nublado, de medo e desinformação, à sombra de uma autoridade caprichosa e implacável incarnada pela personagem de Fumero, um inspector corrupto. São igualmente importantes as comparações que se estabelecem entre os tempos violentos da Guerra Civil que se viveram na cidade de Barcelona e a paz oprimida da ditadora, em que as notícias são manipuladas e os rostos se viram perante a verdade dos acontecimentos.

Ainda que não pertença aos géneros que mais costumo ler, A Sombra do Vento é um romance poderoso e interessante, que não se perde em verborreias pseudo-intelectuais ou em deambulações filosóficas. Nem por isso é uma história supérflua, mas completa e inteligente, que me despertou a vontade de ler os próximos livros do autor.

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