14 – Sangue de Dragão – Ana Vicente Ferreira – Livro de fantástico por uma autora portuguesa, possui influências de outras fantasias épicas como Tolkien ou Dragonlance, constituindo uma demanda onde a cada passo se junta uma nova personagem. É uma leitura simpática e rápida com algumas criaturas originais, mas que achei, no seu todo, demasiado fraco: falhas na caracterização de personagens e transição de episódios, assim como falhas em definir o objectivo de algumas personagens em se juntar ao grupo.

15 – O Vampiro e A Família do Vampiro – Aleksei K. Tolstói – cinquenta anos antes de Drácula de Bram Stoker, Aleksei K. Tolstói (ou Aleksey Konstantinovich Tolstoy) escreveu duas histórias sobre vampiros que espelham as histórias destes seres que já circulavam no folclore russo. Sem a carga dramática de Drácula apresenta-nos dois interessantes relatos excepcionalmente bem construídos.

16 – Never Knew Another – K.M. McDermott – Tal como o anterior livro do autor é um puzzle fantástico onde os acontecimentos vão encaixando conforme os vamos conhecendo. A história centra-se em duas personagens de origem demoníaca que tudo fazem para esconder a sua natureza. Os detalhes fantásticos são originais enquadrando-se na premissa do “Show, Don’t tell”, e não sufocam a história, que se destaca pela excelente componente humana. Em suma, uma leitura fantástica excepcional e diferente, envolvente e interessante.

17 – A Caixa – Richard Matheson – livro de contos de Richard Matheson, possui sobretudo contos de terror com um toque de fantástico. Ainda que alguns (poucos) me tenham deixado indiferente, todos se encontram bem escritos e expostos, havendo histórias excepcionais no conjunto. De recomendar a quem gosta do género.

18 – Dreadnought – Cherie Priest – terceiro volume da série Steampunk The Clockwork Century, ficou abaixo das expectativas ao se centrar em demasia na viagem de uma personagem pouco interessante. Possui excelentes momentos de acção, mas demasiado concentrados no final do livro, não deixando esquecer alguns dos momentos mais aborrecidos. Engraçado, interessante pelas invenções e pela onda brutal de acção no final, mas abaixo de Boneshaker, o primeiro volume da série.

19 – Contos de Ambrose Bierce – talvez pela proximidade entre a leitura de A Caixa de Richard Matheson e este volume de contos, algumas das histórias foram facilmente esquecidas. Contém, no entanto, histórias excelentes ainda que a maioria não tenha surpreendido no desfecho. As melhores serão, sem dúvida, histórias para recordar.

20 – A Tapeçaria do Sinai – Edward Whittemore – brutal. Os livros de Whittemore tinham-me já sido recomendados por vários amigos, mas por múltiplas razões fui adiando. Uma delas, o facto de constituir um volume de uma tetralogia. Felizmente, não senti qualquer falta dos restantes no final da leitura. Ou melhor, senti a falta de ler algo mais sobre as personagens ou algo mais escrito pelo mesmo escritor, mas o livro conta a sua história sem necessidade de continuações. Com episódios dementes, absurdos e fantásticos enquadrados numa sociedade “normal”, relembra simultaneamente autores como Umberto Eco (Baudolino, por exemplo, mas sem a mesma densidade), Borges ou Avram Davidson.

21 – The Executioness – Tobias S. Buckell – história curta que decorre no mesmo mundo que The Alchemist. Ainda que tenha achado uma história bastante mais interessante que a de  Paolo Bacigalupi, achei o final decepcionante. Ainda assim, o mundo relatado em ambos os livros poderia ser palco para outras histórias, e gostaria de o ver mais explorado noutros livros.

22 – The Traveller – John Twelve Hawks – Num mundo padronizado e vigiado onde a maioria dos seres humanos estão integrados na “Grelha”, vivendo vidas banais, existem alguns com a capacidade de viajar entre mundos e um grupo de guerreiros que possui o objectivo de os proteger. Fanáticos pela estabilidade e o previsível, existe igualmente uma poderosa organização mundial que tenta aniquilar estes viajantes. Carregado de acção e com uma premissa interessante, tem, para mim, o ponto fraco de se centrar demasiado nas teorias da conspiração. Ainda vou a meio do livro, vejamos o que penso no final.