Esta é uma das melhores histórias do conjunto. Iguo, um funcionário do estado, recebeu ordens para salvar mais uma rapariga fantasma, mas desta vez na lixeira. Ainda que sem esperanças, dirige-se apressadamente: a lixeira é uma selva urbana onde habitam os mais desordeiros e pobres, e a rapariga fantasma (albina) deverá ser um alvo fácil e de elevado valor para o contrabando de partes humanas e albinas.
Mas quando chega à lixeira espera-o um cenário bem diferente. Os que encontra pelo caminho aconselham-no a afastar, classificando a menina como sortuda ou bruxa. O que encontra é bem diferente, a rapariga é protegida por uma espécie de robot que a guarda eficientemente, e não só persiste, como consegue manter a distância e o respeito dos restantes habitantes da lixeira. Ainda assim, Iguo tenta aproximar-se com promessas de protecção estatais e conforto, que a rapariga nega por desconfiança ao governo.
Estranhando a desconfiança da menina, Iguo procura informação sobre a família, e descobre que a rapariga é a única sobrevivente de uma família resistente ao regime. Entre a preocupação pela menina e a pressão da política externa (a chacina de “fantasmas” era um assunto de elevada relevãncia mundial), Iguo volta a tentar recolher a criança.
Com uma grande componente de ficção futurista, este conto explora tecnologias apenas sonhadas para descrever a reviravolta inesperada de uma vítima da guerra. Um conto estranho com o qual simpatizei – Iguo não é estranho aos horrores da guerra, e a missão torna-se, por alguns momentos, na forma de se redimir, naquela que acha que é uma boa acção.
Na realidade, a boa acção é pouco inocente, antes uma acção altruísta, uma forma do governo limpar a imagem de terceiro mundo após uma grande chacina em guerra civil, ajudando um grupo de indivíduos que se tenha tornado relevantes politicamente, e descurando outros em situação semelhante que necessitam tanto ou mais.
