brave new worlds

Apenas recentemente ouvi falar deste conto de Ursula K. Le Guin, e foi com surpresa que constatei que pertencia a este grande volume de contos e histórias distópicas.Se nos romances mais conhecidos de Ursula K. Le Guin, The Left Hand of Darkness e The Dispossessed, conhecemos sociedades que vivem em realidades bastante distintas da nossa, nesta história, nada parece diferente, a não ser a aparente e total felicidade de todos os cidadãos.

Como realça a autora, não pensem que estamos perante pessoas idiotas ou simples o suficiente para viver inocentes e por isso felizes. Não. Em Omelas todos os cidadãos são felizes, sem intervenção de qualquer droga. Qual a origem de tamanha felicidade e como os cidadãos encaram esta origem, é o que descobrimos apenas no final.

Apesar de descrever uma sociedade feliz (e feliz é a palavra chave de todo este conto), a descrição é de tal forma clínica que se torna inquietante – ao leitor vão sendo dadas provas do estado de espírito dos cidadãos, provas de sanidade e evolução social, que acabam por fundamentar o sentimento de algo está errado.

Não sendo a história favorita deste conjunto (existem outras histórias excepcionais), é irónica e extremamente desconfortável ficando a remoer o cérebro depois da leitura.