O Grande Manuscrito – Zoran Zivkovic

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Encontrado. Pois é. Andei à procura do livro cá por casa. Depois de o ter lido em menos de um dia, não o conseguia encontrar em nenhum dos sítios óbvios. Seria irritante se a própria história não fosse sobre um manuscrito de que toda a gente anda a procura, da autoria de uma escritora também desaparecida. E quem é chamado para resolver o mistério? O detective já nosso conhecido de O Último Livro.

Depois das várias mortes na livraria Papyrus causadas pela abertura de um estranho livro, reencontramos o inspector Dejan Lukic enquanto é chamado ao apartamento de uma misteriosa escritora que estará fechada há dias em casa, sem sair. Em pânico está a agente, mais pela quebra do prazo de entrega do manuscrito em finalização, do que propriamente pela pessoa que o estará a escrever.

Estando a porta fechada, Dejan chama um especialista em fechaduras. Enquanto esperam iritados pelo apagar constante das luzes, conhecem o vizinho cego que afirma ninguém ter saído do apartamento há dois dias. Quando o especialista chega descobrem que o apartamento está fechado por dentro. E vazio – algo pouco provável no último andar de um alto prédio. Desolada, a agente não desiste de tentar revistar a casa.

Casas de chá, telefones que funcionam sem bateria ou cartão, grupos secretos e mortes injustificadas – tudo parece apontar para o desaparecido manuscrito, um romance policial sob pseudónimo que poderá dar a vida eterna a quem o ler primeiro. Entretanto, o inspector vê-se envolvido num caso de busca por uma pessoa da qual não tem retrato, enquanto é assedidado por todos os que pensam que é ele que detem a obra desaparecida.

Circular e misterioso, O Último Manuscrito é uma deliciosa história que roda em torno do poder dos livros, através de contornos surreais e fantásticos que transformam a nossa realidade. Invulgar como outros livros do autor, decorre numa realidade em tudo semelhante à nossa, salvo pelos detalhes que as próprias personagens estranham.

Onde acaba o livro e começa a realidade? Tal como em outras obras de Zoran Zivkovic, em O Grande Manuscrito a fronteira não é clara e o próprio escritor alterna entre comandante e peão da sua própria história – uma dualidade interessante, que é explorada em várias camadas, de forma envolvente na mais recente obra de um dos meus autores favoritos.

Em Portugal O Grande Manuscrito foi publicado pela Cavalo de Ferro, estranhamente, antes de ser lançado em inglês como costuma ser usual. Ainda bem !

 

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