Últimas aquisições (2015-02-08)

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Não, desta vez não passei numa loja de livros usados – passei numa Bertrand onde encontrei descontos ridículos, e abri o site da FNAC também no seguimento de uma promoção. Se, até recentemente, não ligava nenhuma ao cartão Bertrand que fiz há mais anos que os dedos das minhas mãos, na minha última visita à livraria descobri que, para além do desconto dos 10% ainda acumulava descontos em cartão. Conclusão: havia demasiados livros em que compensava mais do que a FNAC (pelo menos naqueles dias).

Parece que finalmente a Bertrand está a dar uso ao cartão, já que antigamente era uma burocracia complicada, mas agora o uso pareceu cheio de facilidades – não tive de o apresentar, apenas de me identificar para usufruir da promoção e do plafond no cartão. Ainda, fiquei bem impressionada com o trato dos empregados (que impede um atendimento rápido, mas quem quer rapidez numa livraria?).

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Papéis Inesperados é mais um dos livros de Julio Cortázar, escritor em torno do qual se fizeram várias palestras no Fórum Fantástico deste ano. Lançado pela Cavalo de Ferro, tem um título bastante apropriado já que constitui uma compilação de textos escritos pelo autor que se encontravam guardados num móvel. Não me parece por isso, um livro para quem ainda não conhece o autor:

Festejado como um acontecimento editorial pela crítica e amantes de todo o mundo da obra de Julio Cortázar, «Papéis inesperados – escritos inéditos» é uma deslumbrante colecção de textos inéditos e dispersos escritos pelo autor de Rayuela durante toda a sua vida e recentemente encontrados num móvel da sua casa no XV Bairro de Paris. Os protagonistas desta surpreendente história – que recorda o baú de inéditos de Pessoa – são Aurora Bernárdez, a sua viúva e herdeira universal, e o especialista na obra do autor, Carles Álvarez Garriga, responsáveis pela edição do livro.

O segundo livro, V. de Thomas Pynchon é algo que quero ler há muito tempo. Tinha o intuito de o ler em inglês, mas dado o preço (e o facto de ter achado a leitura de Crying of Lot 49 algo estranha) acabei por adquirir a versão portuguesa:

Tendo acabado de obter dispensa da Marinha, Benny Profane contenta-se com uma existência ociosa passada entre os amigos, onde a única ambição é a de ser perfeito na arte do engano, e onde a palavra «responsabilidade» é considerada obscena. Entre os seus amigos – chamados Whole Six Crew – está Slab, um artista que parece ser incapaz de pintar outra coisa que não seja queijo dinamarquês. Mas a vida de Profane muda dramaticamente quando ele se torna amigo de Stencil, um jovem ambicioso e activo com uma missão intrigante – a de descobrir a identidade de uma mulher chamada V., que conheceu o seu pai durante a guerra, mas que desapareceu repentina e misteriosamente.

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E porque de vez em quando gosto de ler algo mais leve, eis O Vendedor de Passados de Agualusa:

«Félix Ventura. Assegure aos seus filhos um passado melhor«. É a partir deste cartão-de-visita que se desenrolam os capítulos de «O Vendedor de Passados«, novo romance de José Eduardo Agualusa. A mentira e a verdade, o(s) homem(s) e o(s) seu(s) duplo(s), a memória e a memória da memória, a ficção e a realidade. Angola («é importante ironizar com a sociedade angolana, que é uma sociedade que se construiu e se continua a construir assente em muitas ficções« – o autor ao Público, 19/06/04). Tudo poderia acontecer. Tudo poderia ter acontecido. (Susana Moreira Marques, Público, Mil Folhas: «A determinada altura a osga recorda a mãe num momento da sua vida passada: ‘Nos livros está tudo o que existe, muitas vezes em cores mais autênticas, e sem a dor verídica de tudo o que realmente existe. Entre a vida e os livros, meu filho, escolhe os livros'(p. 122). José Eduardo Agualusa provavelmente escolhe a vida.«) Isto é: os livros?

Há anos que O Livro dos Peixes de Gould me despertou à atenção. Ainda dizem que boas capas não vendem? Pode ser, mas a primeira razão para lhe ter pegado:

Há muito tempo, quando a Terra era ainda jovem, antes de todos os peixes do mar e todas as criaturas da terra começarem a ser destruídos, um homem chamado William Buelow Gould foi condenado à prisão perpétua na colónia penal da ilha Sarah, então terra de Van Diemen, actual Tasmânia. Talentoso imitador e falsificador de arte, Gould é encorajado por Lempriere, o médico da prisão, a entrar para a Royal Society pintando um livro de peixes.
Apaixona-se pela mulher do carcereiro descobrindo demasiado tarde que o amor não é uma coisa segura, e tenta relatar a estranha realidade que presenciou na prisão, para descobrir que a história não é escrita por quem a conhece, mas sim por quem pode. Gould, colonizador da Austrália, ladrão, mentiroso e assassino, viveu para ser testemunha do horror, do ridículo e de milagres.
Inspirado neste personagem real do início do século XIX, Richard Flanagan constrói um panorama devastador do colonialismo inglês e do racionalismo científico que o sustentou, num romance audacioso e de fecunda imaginação.
O Livro dos Peixes de Gould é uma fábula que questiona a autoria da história e da ciência e a substância que dá vida à criação artística.

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Roberto Bolaño é daqueles autores pelos quais tenho imensa curiosidade desde 2666. Mas vendo o tamanho do tal livro é provável que não seja a melhor obra para iniciar o autor. Será que é desta?

Os Dissabores do Verdadeiro Polícia é um projecto que teve início em finais dos anos oitenta e que se prolongou até à morte do escritor. Numa carta de 1995, comenta:

“Há anos que trabalho num romance que se intitula Os Dissabores do Verdadeiro Polícia e que é O MEU ROMANCE. O protagonista é um viúvo, cinquenta anos, professor universitário, filha de dezassete, que vai viver para Santa Teresa, cidade próxima da fronteira com os EUA. Oitocentas mil páginas, um enredo demencial (…).”»
«Se no romance moderno se quebrou a barreira entre ficção e realidade, entre invenção e ensaio, a contribuição de Bolaño vai por outro caminho (…) – para nos aproximar de uma escrita visionária, onírica, delirante, fragmentada e poder-se-á até dizer que provisória. (…) O que importa é a participação activa do leitor, simultânea ao acto da escrita. Bolaño deixou isto bem claro a propósito do título: “O polícia é o leitor, que procura em vão ordenar este romance endemoninhado.” E no próprio corpo do livro insiste-se nesta concepção de um romance como uma vida.»

 

 

 

5 Comments

  1. Nunca li nenhum desses livros, nem tão pouco os vi à venda xD
    Mas sem dúvida que o cartão Bertrand tem vantagens. 🙂 Costumo usar o meu e apesar de não gastar muito em livros tenho sempre algum desconto, o que é óptimo.

  2. Eu tenho a meta de comprar no máximo 10 livros por anos. 😀 E em média tenho conseguido ficar-me pelos 6/7 livros. É verdade que desde o ano passado tenho lido mais, e este ano já li 4 ou 5, mas desses só comprei 1 e foi já no ano transacto, este ano ainda não me estreei em compras. E como estou a ler mais decidi comprar apenas livros das sagas que estou a ler este ano: (Tigana #2, Saga do Assassino #2 e #3 e A Torre Negra #3) e quero comprar também As Raparigas Cintilantes. São esses livros os meus objetivos de compras, o que me dá ainda margem para me estragar em 4 ou 5 novidades 😛 . Quanto às restantes leituras do ano, tenho a saga Duna para ler em digital, e muitos livros na biblioteca para me entreter 😀 Por isso, por enquanto até estou organizadinho xD Mas fazes bem, se gastas muito em livros, usa o cartão que só traz vantagens.

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