Dark tower The Gunslinger Born – Peter David, Robin Furth, Jae Lee e Richard Isanove

IMG_4684Já falei, por diversas vezes, da aversão que criei a Stephen King por causa do Insónia, primeiro e último livro que li deste autor. Se é do tema (também não gostie do livro do Haruki Murakami que trata do mesmo tema), se foi da altura em que o li ou do livro em si, não sei, mas o livro irritou-me tanto (páginas e páginas em que pouco ou nada se passava) que quando o terminei evitei pegar novamente em algo do autor, apesar de várias sinopses me interessarem.

The Dark Tower é uma das grandes séries de Stephen King passada num reino negro e fantástico, que parecia ser o meu estilo. O facto deste volume se tratar de uma adaptação para banda desenhada poderia fazer-me deixar para trás o Insónia e esquecer-me da aversão criada a Stephen King.

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O que encontrei realmente é uma história negra passada numa realidade de poucas esperanças onde grassa a miséria, tanto física quanto moral. O clima recorda os Westerns, com cowboys armados que rapidamente entre em duelos mortais e escaramuças duras. É uma realidade em que dita a lei do mais forte e qualquer vestígio de fraqueza será aproveitado como desvantagem.

A estrutura social é quase medieval, com alguns de linhagem distinta a comandarem os restantes e, claro, donzelas indefesas que são manuseadas como meros objectos ou troféus. É aqui que encontramos magia e bruxedo, mas também restos de uma civilização mais avançada, tecnologias que poucos sabem utilizar e controlar.

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Nesta realidade de pobreza extrema, onde alguns homens defendem a honra sobre tudo o resto, a moral é muitas vezes cega a laços familiares e amizades quando ocorre uma afronta um impureza. Se julgam que o amor e o espírito bondoso pode virar o mundo, principalmente num mundo fantástico, é porque não conhecem Stephen King. Porque, pelo menos neste livro, as más intenções contaminam todos os relacionamentos e todos os acontecimentos.

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Entre pistoleiros, bruxas e magos maléficos, a história torna-se pesada, tensa e densa em detalhes negros que encontram pouca oposição. Sucedem-se quezílias, pequenas batalhas e confrontos mais determinantes que matam, ferem e marcam psicologicamente todos os intervenientes. Neste ambiente não é de estranhar que qualquer tentativa de construir algo positivo e puro seja esmagada por todos as diferentes forças maléficas.

Os cenários são soturnos, sombrios e remotos, comummente de névoa intensa, transmitindo ao leitor uma inquietação maléfica, aprofundada pelos jogos de sombras e expressões dos planos fechados – as palavras são poucas e os significados indirectos.

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Por tudo isto, e apesar de não ter desgostado, torna-se uma leitura pesada, lenta, quase deprimente, que tive de intercalar com outras. Apesar de ter achado o final deste primeiro volume previsível (que outro grande acontecimento poderia moldar o carácter implacável de um herói?) já cá tenho os seguintes para prosseguir, vagarosamente.

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