Bats of the Republic – Zachary Thomas Dodson

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Se os livros digitais têm ganho espaço e novos leitores pelas várias vantagens que proporcionam, principalmente no mercado inglês (menor preço, disponibilidade de obras esgotadas em formato físico, menor espaço nas estantes, etc) Bats of the Republic é um daqueles livros que apresenta em si um argumento para que o formato físico não se esgote totalmente, pelo menos quando consideramos a tecnologia actual do ebook. É que, neste momento, seria impossível transferir para os formatos digitais tradicionais a interactividade que este livro proporciona no formato físico.

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Sim, nesta altura vamos procurar um espelho para conseguir ler as badanas com textos invertidos

Bats of the Republic prima pela qualidade gráfica e pelas surpresas visuais que vamos encontrando ao longo da história, apresentando, até, um envelope que o leitor deve, a seu tempo, abrir para obter mais informação sobre a história.

A história acompanha a vida entrelaçada de várias personagens em duas épocas distintas, umas no século XIX e outras no século XXII. A personagem principal é Zeke Thomas, a única que conta de forma directa alguns episódios, e da qual vamos sabendo alguns pensamentos. Das restantes vamos lendo correspondência, livros ou documentação.

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Não demora muito até percebermos que, no século XXII, a sociedade terá entrado em declínio populacional, facto que determina a criação de um regime de Ditadura, num ambiente tipicamente distópico em que todos se encontram sob apertada vigilância e de liberdade condicionada.

Com a morte do avô Zeke Thomas tem à sua disposição um lugar no Senado mas está reticente em aceitá-lo. O lugar implica envolvimento na política e Zeke não se julga capaz de se envolver de tal forma em assuntos com os quais discorda. Ainda assim desloca-se a casa dos avôs e recolhe a herança do avô descobrindo, entre os pertences, uma carta fechada que nunca terá integrado o arquivo nacional – um crime gravíssimo numa sociedade em que ninguém pode escrever e em que todos os documentos devem estar à guarida do Estado.

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Apesar de não estar sob a guarda do Estado, existe quem saiba da existência da carta e a procure como forma de negar a ligação entre Zeke Thomas e Zadock Thomas, um naturalista que terá criado o Museu do Ar e que se tornou uma personagem importante, a razão para o lugar permanente da família no Senado.

Sabendo da carta, a namorada de Zeke, Eliza, tenta convencê-lo a entregar o documento – caso a carta seja descoberta na sua posse constitui um crime gravíssimo que afectaria ambos.

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Entre as cartas do pai para Eliza, a correspondência de Eliza para uma amiga, prossegue uma investigação sobre a família de Zeke, sobretudo sobre a relação entre Zadock Thomas e Elswyth, que terão fundado a família. Pretendente de Elswyth, Zadock aceita uma perigosa missão até ao Texas para transportar uma carta. Quando, a meio, recebe um telegrama urgente de Elswyth, deixa a expedição e tenta cumprir a missão sozinho. Se o percurso já era perigoso, ao deixar a expedição envereda por caminhos diferentes que o levam a observar várias espécies de morcegos que cataloga minuciosamente.

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Contadas paralelamente, as duas histórias interligam-se de várias formas contando de forma indirecta as condições para a criação do regime distópico e para os elementos que possuem alguma autoridade, como uma estranha seita de mulheres que detém poderosos segredos para a longevidade.

Sem ser perfeita, torna-se uma leitura excelente e envolvente. As duas histórias interligam-se de várias formas e acabamos por não saber se a história de 1843 é uma ficção de 2143, ou se a história de 2143 é uma ficção de 1843, havendo pistas para ambas as possibilidades.

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A história ganha interesse sobretudo pela forma como se apresenta e pelo tom. Se por um lado vamos acompanhando as personagens através de cartas e relatos complementados por desenhos de animais, esquemas, fotografias e documentos, por outro, o tom mistura o nervoso das situações pessoais com a confissão de uma carta íntima, quase um diário. O resultado é um puzzle gigante carregado de empatia.

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6 pensamentos sobre “Bats of the Republic – Zachary Thomas Dodson

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