Acho que na últimas semanas já me perguntaram umas cinco ou seis vezes pelos meus autores favoritos. Pergunta difícil para quem já leu vários géneros e vários autores – é daquelas perguntas que me param a fala pela quantidade de informação que me enche o cérebro ainda que efectivamente exista uma lista de favoritos. Nunca me dediquei foi a compilá-la por ser uma lista volátil. De certeza que vou ler novos livros e (espero) encontrar novos autores, ou de certeza que noutro dia qualquer me recordo de mais qualquer coisa que li algures no tempo.

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Ray Bradbury

Raramente falo deste autor e nem sempre estou com disposição para ler algo dele. Preciso de estar no ponto para apreciar as loucuras de alguns contos ou as ideias curiosas de outros. Mas sempre que leio fico rendida. Entre contos e versões digitais o que li não há-de chegar a metade. Na verdade nem a um décimo. E ainda assim, é um dos meus autores favoritos, apesar da relação amor-ódio que tenho com algumas das suas histórias.

Para todos os que gostam de livros a premissa de Fahrenheit 451 é arrepiante por se centrar na queima destes objectos, bem como na felicidade de advém da ignorância. Reminiscências desta história podem ser encontras no espectacular Crónicas Marcianas, a última leitura do autor, onde me perdi na sucessão de contos absurdos sobre a colonização humana de Marte em que nunca se sabe o que espera os exploradores. O primeiro teve pelo menos duas edições em português (pela Livros da Brasil e pela Europa-América).

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Mas claro que existe um lugar especial para as histórias de Something Wicked This Way Comes ou I Sing the Body Electric, que roçam a ténue fronteira entre o sonho e o pesadelo, explorando por vezes o lado humano com as reacções face a situações insólitas e inquietantes. O primeiro foi publicado recentemente pela Saída de Emergência como Algo Maligno Vem Aí.

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2. Colleen McCullough

Não estou a falar da Colleen McCullough que trazia o pão à mesa escrevendo tórridos romances baratos e simplistas para entreter donas de casa entediadas, mas sim da sua faceta que escreveu a série O Primeiro Homem de Roma. Sei que já li esta série há demasiados anos e que provavelmente não iria ter hoje a mesma opinião. Mas vejamos o contexto da ficção histórica disponível no mercado português onde se destacam alguns bons autores rodeados de escrita a metro, onde esta série se destacava não só por explorar a componente história (com margem para interpretação e desenvolvimento ficcional) mas sobretudo pela complexidade e densidade das teias políticas na sociedade romana intercaladas com estratégias de guerra – ou não fossem os romanos os pais da burocracia a par com a política e corrupção que haveriam de levar a sua sociedade ao declínio.

 

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Publicada em português pela DIFEL a preços proibitivos, mas por longos anos cobiçada, esta foi uma das séries que me fez começar a encomendar em inglês pela diferença no orçamento. E apesar da densidade da narrativa sobrevivi. Julgo que o interesse que a história me despertou derivou também da minha paixão pelas civilizações antigas em conjugação com o prazer dos jogos de estratégia mas terá sido mantido pela mestria com que a autora caracteriza personagens como Cícero, Gaio Mário ou Sula (para já não falar de César).

(continua…)