Feira do Livro de Lisboa 2016 – Opinião

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Se a Feira do Livro já tem decorrido em alturas muito frias ou muito quentes, este ano foi quase perfeita. Houve alguns pingos (mas nada que impedisse de se lá estar), houve muito sol e calor mas felizmente havia esplanadas à sombra que completavam os breves momentos de vento fresco.

O horror – a entrada

Com obras ou sem obras, o posicionamento das carrinhas de comida não ajuda o acesso à feira – um corredor estreito. Aliás, de quem vem do Marquês de Pombal, quase tem de se parar para perceber como se entra. Em alturas de maior movimento entrar na feira era fazer parte de um pequeno e lento comboio.

O muito mau – os espaços próprios

Desde que houve a ideia, há uns anos, de ter espaços próprios, de design diferente para alguns grupos editoriais, que tenho sentido repulsa pela ideia. Mas este ano, tendo passado umas dez vezes pela Feira (deixei de contar) percebo que são óptimos espaços de promoção do nome do grupo, mas ainda me questiono se serão óptimos espaços de venda.

No caso, tanto da Leya como da Editorial Presença, a disposição espacial parece proporcionar uma sensação de espaço cheio, mesmo quando apenas lá estão meia dúzia de gatos pingados. Impede-se a circulação, dificulta-se a visualização dos livros e, por fim, inibe-se a compra. Pelo menos da  minha parte. Nestes espaços a minha estratégia é sempre a mesma – ir directamente a algum livro específico (normalmente do dia), comprar e fugir. A ideia de que se trata mais de um espaço de promoção do que de venda é reforçada por trazerem apenas uma selecção do catálogo ouvindo-se demasiadas vezes “esse não trouxemos”.

No caso da Babel parece ter existido uma evolução positiva que ficou a meio caminho. Felizmente o grupo parece ter desistido completamente do formato túnel, mas aderiu aos pavilhões abertos – ao invés de podermos visualizar os livros expostos quando passamos, somos forçados a entrar. Constato que passei várias vezes pelo espaço, têm livros que quero comprar e não parei uma única vez.

O mau – Divulgação de promoções

Para além destes defeitos espaciais, há os defeitos promocionais  – editoras que não divulgam os Livros do Dia, ou que o fazem em canais específicos que tornam a pesquisa uma autêntica caça ao tesouro, ou que só o fazem de vez em quando. No meu caso a divulgação dos livros do dia determina a passagem na Feira e acaba por me fazer adquirir mais alguma coisa. Se não há divulgação dos livros do dia… bem… é provável que não passe nem perto de determinado stand.

O assim-assim – Os espaços de lazer

Houve quem criticasse a quantidade de carrinhas de comida gourmet. Bem, posso dizer que adorei as esplanadas e os espaços de apresentação. Permitem paragens a meio (o que para quem vai carregado é uma mais valia) principalmente quando o sol a pique.

O que critico neste ponto é o destaque que lhes foi feito – é mais fácil encontrar as bifanas no mapa do que os stands das editoras. Que haja ofertas sem glúten, sem lactose e outras que tais – excelente. O que não devia acontecer era a carrinha da comida servir como melhor ponto de referência do que uma editora.

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O lado bom da Feira 

Bem, expondo detalhadamente os pontos negativos até parece masoquismo lá ir. Nem por isso. O Parque Eduardo VII é um sítio excelente onde encontramos livros a bom preço e alguns que nem sempre estão nas livrarias – até porque, logo à entrada, temos uma série de alfarrabistas com uma oferta variada.

Este ano destacaram-se os eventos, principalmente as palestras e os eventos que decorrem em locais agradáveis, perto dos pontos de restauração. O único problema foi terem concentrado vários eventos no mesmo dia / hora existindo outros dias mais libertos no fim-de-semana – o dia 04 foi particularmente carregado.

Portanto, assisti à sessão do Nuno Galopim sobre Os Marcianos somos nós, ao lançamento de Os Vampiros de Filipe Melo e Juan Cavia (o lançamento bem como as várias sessões de autógrafos foram um sucesso), à apresentação de Simon Scarrow (superou as expectativas), ao lançamento de O Livro de Zoran Zivkovic (excelente – mais tarde coloco os vídeos e as fotos) e regressei da Feira com vários livros autografados. De destacar que a maioria das editoras realizou preços especiais às obras dos autores convidados.

3 pensamentos sobre “Feira do Livro de Lisboa 2016 – Opinião

  1. Este ano não pude ir (por óptimos motivos :)), mas já do ano anterior a minha apreciação é muito semelhante. Não gosto particularmente dos espaços próprios e sinto falta dos chamados “fundos de catálogo”, aqueles livros descontinuados e esquecidos de que a Feira servia como escoadouro. Sinto que levam apenas as últimas novidades e nem sempre com descontos convidativos. Ultimamente acabo sempre por me cingir aos alfarrabistas e à BD, o que já não é mau. E claro, aproveitar o ambiente da feira, que é sempre fantástico.

    • sim ! os fundos de catálogo praticamente desapareceram das grandes editoras – as minhas grandes compras foram na BD, como ia a uma série de eventos, andei à caça nos livros do dia da Devir, da Europress e da Asa. Depois apanhei alguns livros nos alfarrabistas. Comprei menos novidades, mas ainda comprei algumas 🙂

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