Outcast Vol.3 – Kirkman & Azaceta

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Estando a ler esta série em simultâneo com a The Walking Dead, do mesmo autor, e tendo sido ambas adaptadas para série televisiva, é impossível não fazer algumas comparações, no sentido de tentar perceber porque, não tendo visto nenhuma das séries, The Walking Dead é tão mais aprazível.

As diferenças são muitas, ainda que ache a premissa inicial semelhante – entre os seres humanos muitos já não o são, transformando-se em monstros. Se no caso de The Walking Dead a transformação é visível e de tal forma vincada que permite a total desumanização das criaturas, em Outcast os seres humanos continuam a ser capazes de executar as tarefas rotineiras de sempre, não tentam morder ninguém e conseguem manter conversas quase civilizadas. A transformação neste caso é interna e a sua pouca visibilidade faz com que os amigos e familiares neguem, sempre que possível, as evidências.

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Se The Walking Dead é carregada de momentos de acção onde a esperança de uma vivência mais relaxada contrasta com os episódios catastróficos de chacina emocionalmente pesada, em Outcast o tom é constantemente deprimente, com pouca mudança de cenário. Por outro lado, a demasiada centralização numa personagem que se mostrou, até agora, um herói psicologicamente afectado e por isso ineficaz, não ajuda a criar empatia para com o que lhe vai acontecendo.

Mantendo a comparação, se em The Walkind Dead a história avança em círculos, repetindo uma fórmula de tensão acumulada que já sabemos como termina mas mesmo assim queremos acompanhar, Outcast avança de forma mais ou menos linear, tentando manter esta repetição de acontecimentos com os rituais de exorcismo mas sem conseguir criar a expectativa que seria necessária pois os momentos que intercalam os rituais são preenchidos com depressão.

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Com todas estas comparações quase depreciativas, onde fica Outcast? Fica, para mim, no limite do aceitável. Passo a explicar. O ritmo continua lento, com uma narrativa quase linear onde as revelações surgem a conta gotas e mantém o leitor sempre na expectativa de saber o que afinal está por detrás da epidemia de possessões.

Este terceiro volume conseguiu, finalmente, fazer aparecer algumas personagens secundárias e dar-lhes algum interesse, mostrando um pouco mais do que se passa do outro lado da barricada e dando-nos algo para nos ligarmos emocionalmente – mas não ao suposto herói.

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