Reborn – Book one – Mark Millar, Greg Capullo, Jonathan Glapion e Fco Plascencia

Li muito pouco de Mark Millar. Para além deste volume li, recentemente, Starlight, mas em ambos parece haver uma tentativa de mostrar que a velhice não é inútil e que existe a possibilidade de grandes feitos heróicos mesmo quando a idade é avançada. Em Starlight o herói mostra capacidades que inspiram outros a grandes feitos, instigando coragem e determinação. Em Reborn a morte é apenas a forma como se passa para uma, de muitas outras realidades, que nos esperam, num misterioso caminho de passagem que não se sabe onde termina.

Em Reborn acompanhamos a morte de uma senhora de idade, Bonnie, viúva há alguns anos. Não a espera o céu, nem o inferno. Antes um outro mundo de características semi medievais (em termos tecnológicos) onde renasceu no auge das suas forças e onde encontra, nos primeiros instantes, o pai. Esta mulher, que terá sido uma das melhores pessoas em vida, é a muito aguardada Messias que se espera pôr nova ordem na separação entre as duas partes do território – a parte destinada aos bons e a parte destinada aos maus.

Bonnie estranha o papel que lhe é esperado, sabendo que, em vida, não tinha investido em capacidades guerreiras. Por outro lado, esperava encontrar o marido com a mesma facilidade com que encontrou o pai. Bonnie pede então aos seus seguidores para aguardarem mais um mês enquanto procura o companheiro de uma vida, mas será essa missão que a levará a enfrentar os que tentam, diariamente, invadir o território.

O que acontece a alguém extremamente religioso que não encontra, naquele lado, o cumprir das expectativas? Enlouquece. E o que acontece ao gato que foi capado? Bem, volta na próxima oportunidade para se vingar. Já as pessoas renascem num dos lados de acordo com as acções na vida anterior, com uma idade que não corresponde à da morte. Bonnie vê-se, assim, novamente com 20 anos, em boa forma e pronta para a batalha que se avizinha.

De premissa um pouco naive, confere às personagens uma simplicidade de avaliação bom Vs mau que relembra histórias fantásticas mais antigas de elementos lineares e objectivos claros. Os bons possuem tantos mais poderes quanto melhor agiram em vida, e os maus tantos mais poderes quanto pior agiram. Os maus tentam conquistar e escravizar os bons. Os bons lutam pela liberdade.

Também esteticamente o espaço combina com esta caracterização absoluta. Os bons renascem em espaços naturais, onde se reconhecem vales, rios e florestas. Os maus renascem em espaços infernais, onde são comuns os rios de sangue e os céus sombrios e tempestuosos. A caracterização visual não se fica por aqui. Os bons mantém uma aparência humana. Os maus adquirem aparências demoníacas onde não faltam cornos e olhos vermelhos.

Apesar de todos estes elementos que simplificam a caracterização das personagens, em que bons agem sempre correctamente e maus sempre da pior maneira possível, mesmo em próprio prejuízo, Reborn é uma história engraçada e envolvente que se aproveita do sentimento de nostalgia pelas histórias fantásticas mais clássicas para cativar o leitor.

Um pensamento sobre “Reborn – Book one – Mark Millar, Greg Capullo, Jonathan Glapion e Fco Plascencia

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