Nonnonba – Shigeru Mizuki

Esta é das melhores leituras de banda desenhada dos últimos tempos! Com uma personagem central endiabrada, um rapaz, Shigeru, que gosta de desenhar e fazer histórias com os seus desenhos, que vive uma infância carregada de criaturas fantásticas e histórias míticas graças aos esforços de Nonnonba, uma velhota que vive na aldeia e que consigo transportas as crenças antigas.

O quotidiano cruza-se comummente com o mágico e o fantástico, sob a forma de criaturas que são usadas para justificar os eventos mais banais ou diferentes, desde os sons da noite às desgraças. Nesta pequena povoação a crença nas criaturas é de tal forma forte que é usual haver quem diga que as viu e observou!

Entre as comuns expressões sobrenaturais os rapazes organizam batalhas de organização quase militar, onde lutam com os bandos das povoações vizinhas em ataques programados. Shigeru é um dos rapazes que participa nestas batalhas ganhando, ao longo do livro, uma maior autoridade que usará de forma revolucionária.

Shigeru demonstra, na escola, pouca apetência para os estudos, sempre com a cabeça no ar entre fantasias diversas e a produção de desenhos. A sua apetência para os desenhos vai acabar por ser alimentada pelo pai, que persegue, também, uma paixão, neste caso a paixão pelo cinema que o leva a perder empregos mais certos e a montar uma sala de cinema na terriola.

Para além das preocupações económicos provocadas pelos devaneios paternos, a vida de Shigeru é marcada pelas diversas situações e aventuras que vive, como a de uma rapariga da cidade que vem passar uma temporada à povoação por estar doente (e que conta ao Shigeru as maravilhas da tecnologia enquanto se fascina com os livros por ele produzidos) ou a de outra que mais tarde se revela ser uma menina pobre que será vendida.

Pelo meio ainda encontramos o perigoso encontro com o assaltante do banco que pretende manter os meninos reféns ou a busca de fim abrupto pelo projecto de cinema roubado da sala de cinema do pai.

Nonnonba não é uma grande leitura só pelo retrato do Japão rural (ainda que seja um factor de peso) mas pelo caricato das personagens que nos envolve e cativa, contrastando com os cenários detalhados de fundo e pela forma como transforma episódios quase banais em grandes aventuras sobrenaturais.

Pela perspectiva de uma criança percebemos a dureza do quotidiano, com uma velhota sem família e pobre a ter de se sujeitar a trabalhos domésticos nas casas que a podem acolher, ou pela apresentação de várias mulheres a quem não é dada a possibilidade de estudar por motivos vários. Sobre todos estes elementos temos um rapaz endiabrado mas de bom coração que entrelaça o sobrenatural em todos os momentos da sua vida.

Nonnonba é um dos volumes publicados pela Devir na colecção Tsuru.

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2 pensamentos sobre “Nonnonba – Shigeru Mizuki

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