Destemidas – Penélope Bagieu

Destemidas é um livro feminista. Não se entenda, com esta afirmação que, ao ser feminista, é contra os homens. Ser feminista significa demonstrar que as mulheres são injustamente tratadas como crianças ou seres inferiores em muitos contextos. Ou como objectos sobre os quais todos opinam. As mulheres não gozam das mesmas liberdades que os homens (mesmo que alguns não façam nada para perpetuar esse estado social e não percebam em que situações isto se aplica). Por oposição, a definição da mulher enquanto ser moralmente superior ou mais puro, na prática, propaga a ideia de que não se submetem às mesmas tentações e decisões, como qualquer homem – retira a ideia de haver capacidade para livre arbítrio.

Este livro reúne a história de várias mulheres que se distinguiram pela sua irreverência e criatividade em ultrapassar as normas sociais. Tratam-se de histórias apresentadas de forma simples mas competente, que conseguem, em poucas páginas, expressar a importância das mulheres escolhidas, ainda que as possam, posteriormente, ter transformado em vilãs ou figuras ridículas.

O volume abre com Clémentine Delait, a mulher barbuda que soube aproveitar esta característica para vencer na vida, apesar da curiosidade que a rodeia; para passar a Nzinga, uma jovem africana que, graças à astúcia se torna rainha. Esta não é a única jovem guerreira. Temos, também, Lozen (Xamã) que se destacou na luta contra os ocidentais que pretendem conquistar as suas terras, ou as irmãs aguerridas que ficarão conhecidas como Las Mariposas.

Não faltam actrizes, como Margaret Hamilton que se aproveitou das características faciais para marcar Hollywood… e os pesadelos de muitas crianças, ou Joséphine Baker, dançarina de ascendência africana que acaba por se mudar para França por conta do puritanismo americano.

Se as normas sociais indicavam que protestantes e católicos deviam manter-se separados, mesmo na morte, Josephina van Gorkum arranja uma solução criativa para para o seu túmulo e o do marido. Não menos criativa é Tove Jansson, uma artista que ficou conhecida como a criadora de Trolls, ou Giorgina Reid que consegue arranjar uma forma de parar o avanço do mar, recorrendo a estruturas baratas.

Houve, também, aquelas que se destacaram pelo seu papel libertador, como Annette Kellerman que recupera de lesões de poliomielite graças à natação e que, quando cresce, percebe que os fatos de banho femininos não foram feitos para nadar; ou Agnodice que se distingue na civilização grega por querer o devido apoio médico para os problemas ginecológicos.

História após história, encontramos mulheres que desafiaram o suposto papel dócil e arranjaram soluções alternativas para atingirem os seus objectivos, adaptando o impensável e contornando regras, enfrentando os preconceitos e agindo com determinação.

Destemidas é o nome deste álbum que reúne as histórias de várias mulheres e foi publicado na colecção Novela Gráfica em parceria com o jornal Público.

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