Kraken – Emiliano Pagani e Bruno Cannucciari

Emiliano Pagani é um autor de banda desenhada italiano conhecido, entre outras coisas, como um desenhador de Dylan Dog ou como autor de algumas séries de tom satírico e humorístico. Aqui, em Kraken, constrói uma narrativa movida por uma lenda sobrenatural, num tom relativamente pesado e catastrófico.

A história começa com um documentário sobre o Kraken, uma figura lendária que instigou um apresentador a explorar o mito, num programa sensacionalista. Este programa atraiu um jovem rapaz que não só julga ter visto o Kraken, como acha que será capaz de o caçar.

Quando a mãe do rapaz visita o apresentador explica-lhe que terá perdido toda a restante família, uns atrás dos outros, em navios pesqueiros que se encontravam no mar aquando de grandes tempestades. Tocado pela história, o apresentador oferece-se para desmistificar a lenda ao jovem rapaz, mostrando-lhe que não existe tal monstro.

Para tal, dirige-se à localidade piscatória, mas o que lá encontra não é bem o que espera. Os habitantes desta localidade são bem unidos, mas crentes no mito. Quem sobrevive ao Kraken deverá ser reclamado pelo Kraken, e enquanto os devidos sacrifícios não forem feitos, várias desgraças existirão naquela terriola. Acredita-se que o rapaz é devido ao Kraken e que assim que se sacrificar, os pescadores deixarão de desaparecer no mar.

Nesta comunidade fechada e supersticiosa, os verdadeiros monstros estão em terra. A crença num monstro marinho que gostaria de oferendas impulsiona uma série de confrontos pesados onde se trocam acusações e decorrem agressões. Este ambiente prepara-nos para um final violento, mas não no sentido que esperamos e uma reviravolta inesperada fecha a narrativa de forma dura.

Kraken não possui uma narrativa espectacular. Apesar de demonstrar uma boa capacidade em desenvolver episódios de acção, fazendo-os suceder de forma competente, a caracterização de personagens é baixa. Não que as personagens sejam lineares, mas o seu desenvolvimento teria contribuído para envolver mais o leitor.

O final, apesar de surpreendente, aparece como algo desfasado. Uma boa reviravolta é aquela que parece ser totalmente coerente quando revelada, ainda que não passe pela cabeça do leitor até ao momento. Neste caso, o final possui algum desfasamento narrativo e, apesar de ser uma reviravolta interessante, poderia ter tido mais força.

Visualmente, Kraken possui grandes momentos, oscilando entre maior detalhe nas feições (que são bastante expressivas) ou fabulosas imagens marinhas, quer de barcos, quer do fundo do mar.

Em resumo, Kraken é uma boa leitura com bons elementos quer do ponto de vista narrativo, quer do ponto de vista gráfico. É, no entanto, uma história que se poderia tornar excelente, se tivesse investido mais na caracterização de personagens. Ainda assim, a sua leitura é fluída e o resultado é acima da média para este tipo de narrativas de acção.

Este volume é uma publicação italiana.

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