Bully Wars – Vol. 1 – Skottie Young, Aaron Conley, Jean-François Beaulieu, Nate Piekos

I Hate Fairyland ou Middlewest são duas das séries recentes de Skottie Young que li até ao final. Ambas se centram em jovens adolescentes que enfrentam as suas próprias batalhas e que partem em demanda. Pelo menos Middlewest, dado que a personagem principal de I Hate Fairyland até parece uma criança, mas de jovem apenas tem o aspecto. Em Bully Wars a narrativa volta a centrar-se em jovens, neste caso num grupo que vai começar o ano numa nova escola: os nerds e o bully que lhe infernizou a vida desde que se recordam.

Ainda que tenha elementos engraçados e uma narrativa movimentada, tem outros aspectos menos positivos. Por um lado, a forma como o relacionamento com o bullying é retratado (um relacionamento abusivo que é quase visto de forma positiva), por outro, a dispersão em várias personagens, sem chegar a criar empatia ou foco em nenhuma.

A história

Três jovens, Spencer, Edith e Ernie encontram-se na paragem de autocarro para o primeiro dia do ano lectivo numa nova escola. Na mesma paragem encontram Rufus, o bully que infernizou a sua existência desde que se recordam. Mas nesta escola Rufus não poderá continuar a ser um bully porque existem outros, maiores e mais fortes, que reservaram para si esse direito. Depois de umas trocas de palavras, Spencer resolve ajudar Rufus a tornar-se o bully vencedor das guerras de bullies, a troco de o proteger e aos seus amigos neste ano lectivo.

A narrativa

A história é movimentada e quase sem pausas. Os conflitos e as dificuldades sucedem-se transportando a narrativa numa sucessão de esforços para os ultrapassar. Não existe um foco numa personagem concreta, e os relacionamentos entre o grupo são explorados numa perspectiva linear. Esta abordagem é simplista e ignora todas as questões subjacentes à existência de bullies fazendo com que seja uma história inconsequente, superficial e simplista.

Ainda assim, se nos deixarmos levar pelos episódios movimentados sem pensarmos muito, consegue tornar-se numa leitura agradável, com alguns detalhes imaginativos e engraçados, sem chegar ao nível de I Hate Fairyland.

O desenho

Bully Wars apresenta um desenho mais próximo de I Hate Fairyland, com elementos exagerados e mirabolantes que ajudam a compor o efeito divertido desta série. Existe uma forte caracterização física que corresponde ao estereotipo de cada um dos grupos, bullies e nerds. Ainda, nota-se o movimento das personagens nas suas posturas e nessa vertente, é um desenho que joga muito bem com a sucessão de elementos mirabolantes e divertidos. As cores fortes ajudam nesta percepção.

Conclusão

Depois de Middlewest e I Hate Fairyland (uma série com altos e baixos, mas com vários pontos originais) esperava um pouco mais deste Bully Wars. O pouco desenvolvimento dos relacionamentos (positivos ou negativos) entre bullies e nerds é, sem dúvida, um dos pontos fracos. A par com este, o pouco ou nenhum desenvolvimento da empatia pelas personagens não ajuda a mudar esta percepção.

O resultado é uma leitura engraçada, mas em termos narrativos bastante abaixo do que esperava. Em termos visuais corresponde ao prometido pela capa e, nessa componente, não me desiludiu.

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