The Calculating Stars – Mary Robinette Kowal

Premiado com o Hugo, o Nebula e o Locus, entre outros, e para além de várias nomeações, The Calculating Stars é um livro bastante diferente de ficção científica. É uma história alternativa, mas simultaneamente, é uma história de superação que aborda misogenia, racismo, e saúde mental. Uma combinação original e envolvente que tem, no entanto, alguns elementos que não me convenceram totalmente.

A história

Na realidade alternativa aqui descrita um meteoro atingiu a terra em 1952. A protagonista encontrava-se numa cabana no meio da montanha, com o marido quando viram um clarão assustador. Depois de descartarem a possibilidade de uma bomba russa, o casal apressa-se a fugir, sabendo que a onda de impacto irá causar grandes estragos. Este não é, no entanto, um casal qualquer. A mulher, Elma York, é um piloto que voou durante a guerra e um génio da matemática com a profissão de computador. O homem é um engenheiro que constrói foguetões.

O casal refugia-se na primeira base militar funcional que encontra. Este posicionamento irá permitir terem acesso às primeiras conclusões sobre as consequências do embate. Tendo caído na água, a queda do meteoro provocou a evaporação de um volume extraordinário de água, o que irá alterar as condições climáticas, o que poderá ter efeitos drásticos alguns anos depois.

Após a recuperação civilizacional dos primeiros anos, o governo americano percebe que terá de ter um plano secundário em relação à Terra e o casal acaba envolvido nestes planos. Ele como engenheiro, ela como computador (fazendo os cálculos para todos os cenários possíveis), enquanto se formam homens como astronautas – mas porquê só homens, se o esforço de colonizar outros planetas irá necessitar de todos?

Crítica

Começando como uma história numa realidade alternativa (a queda de um meteoro nos anos 50), a narrativa desenvolve a premissa da necessidade humana de colonizar o espaço. Para tal, os esforços são redobrados e estabelecem-se parcerias multinacionais, acelerando-se as primeiras viagens com seres humanos a bordo.

Para além das preocupações imediatas, de sobrevivência, a história começa cedo por demonstrar diferenças sociais das mais diversas formas. Os refugiados que chegam das zonas afectadas são quase todos de raça branca (fruto de não se terem estabelecido locais de recolha em bairros tipicamente afro-americanos), e o casal (personagens principais) são judeus, recordando-se a Segunda Guerra Mundial.

Por outro lado, as mulheres são envolvidas nas iniciativas de forma limitada, e mesmo quando reúnem todas as capacidades, são tratadas como bonecas, remetidas para o silêncio ou descredibilizadas. Elma York parece não ser excepção, pelo menos no início. Filha de militar, ela própria conduziu aviões na Guerra e reúne todas as capacidades mentais e físicas para ser incluída no programa espacial. No entanto, o seu papel parece resumir-se a computador (à data, os cálculos eram efectuados e validados por mulheres cuja profissão se denominava computador), até ao momento em que participa num programa televisivo infantil e parece ganhar uma notoriedade marcante.

Ainda assim, York não é perfeita. As suas capacidades matemáticas já lhe causaram problemas no passado. Como prodígio numa turma de rapazes, era frequentemente usada como exemplo (se uma rapariga consegue…). Esta utilização leva-a a ser alvo de grande hostilidade por parte dos colegas e terá levado a problemas psicológicos e ansiedade. Esta ansiedade é tanto maior, quanto maior for a exposição social, sobretudo quando começa a ser perseguida pela imprensa.

Começando como história alternativa, a narrativa evolui para um diálogo social, colocando questões raciais e de género, mas também debatendo o impacto da doença psicológica e a forma como socialmente não é aceite.

Conclusão

The Calculating Stars é uma leitura interessante pelas questões que coloca, mas a utilização de uma única personagem para tocar em todos os temas nem sempre me convenceu. Por outro lado, a narrativa, que começa movimentada e carregada de acção, prossegue para momentos mais pausados e políticos, onde pouco acontece directamente. Esta forma de abordar o tema levou-me a prosseguir mais devagar pela leitura e, por vezes, com menos interesse, ainda que, de forma global, seja uma boa leitura.

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