Eis um dos mais recentes lançamentos da editora Norma, centrado na última vítima do assassino em série, Jack o Estripador!

A história

Mary Jane é a jovem esposa de um mineiro. Quando o marido morre de um acidentes nas minas, resta-lhe partir para procurar um trabalho para se sustentar. O destino leva-a a juntar-se a outros que, como ela, deambulam e são perseguidos por aldeões e autoridades. Depois de ver mortos alguns dos seus companheiros, Mary Jane acaba na cidade, sem meios para se sustentar! Escusado será dizer que é uma presa fácil para as redes de prostituição.

Crítica

A história centra-se em Mary Jane, enquanto mulher viúva – uma figura fragilizada naquela época que não tem grandes meios ao seu dispor, nem capacidades que a permitam captar um trabalho honrado. Como tantas outras mulheres, acaba à procura de clientes na rua, sob a protecção dúbia de uma rede de prostituição. Alvo de enganos e de trapaças, não tem grande forma de se defender da realidade urbana.

A narrativa é dura, sem elementos românticos ou sonhadores. Mostra a inocência quebrada e a dureza de vida das mulheres da época que, sem família para as abrigar, se vêm atiradas para caminhos duvidosos. Mas não há outros possíveis. Mary Jane é outra como tantas as outras, uma representação das mulheres que desaparecem sem que ninguém verdadeiramente dê pela sua falta.

Tal como a narrativa, o desenho é, quase sempre, sombrio. Começa pela representação do campo, com detalhes e alguma luz, para, progressivamente, avançar para o ar escuro e nublado das cidades. Os contornos tornam-se menos firmes, e as expressões mais fechadas, até asquerosas ou hediondas.

Conclusão

Mary Jane é um livro realista que não aligeira a história dura da personagem principal. Mary Jane é, na prática, a representante de tantas outras mulheres que se vêm atiradas para a rua, desprotegidas e exploradas, para conseguirem sobreviver. A narrativa não aligeira esta realidade e liga-se a uma caracterização igualmente dura e pesada. É um livro que, não surpreendendo, concretiza aquilo a que se propõe e se torna uma leitura recomendável.