Com estes dois volumes chega ao final a série Moonshine, publicada em Portugal pela G Floy. Para quem desconhece a série, decorre durante a Lei Seca nos Estados Unidos, segue os meandros e as interacções dos gangsters com o seu contrabando de bebidas alcóolicas e adiciona lobisomens à mistura explosiva.

A história

Tempest Holt infiltra-se num grupo de gangster de Nova Iorque, mostrando o seu lado de femme fatale e cantando num bar. O cliché dita que o mais forte gangster do local se interessa pela nova loira, fazendo dela a sua nova amante. Mas esta mulher é muito mais do que uma cantora e tem planos para se vingar pela morte da sua família.

Em paralelo, a polícia investiga uma série de assassinatos, onde os corpos aparecem completamente despedaçados. A quantidade de vítimas parece crescer com o tempo – e Holt não é a única na cidade com um lado nocturno.

Crítica

Gangsters contra gangsters. Lobisomens contra lobisomens. Gangster contra lobisomens. A premissa da série permite a apresentação de episódios de violência com as várias combinações, mostrando mortes encomendadas, batalhas entre garras, muito tiroteio, e, até, macumbas.

Tempest Holt vai tentar desempenhar o tradicional papel de femme fatale, mas é, na verdade, alguém que ultrapassa, de várias formas a simplicidade da loura de pouca inteligência. A infiltração no mundo gangster vai ter a sua dose de clichés, mas também a sua dose de originalidade, mostrando uma mulher forte que não se importa de ser confrontada com as execuções dos gangsters. Já os gangsters, na sua maioria, cumprem com o cliché de baixa inteligência e muita violência, respondendo a tudo com mortes lentas, torturas e agressões.

Esta é uma narrativa movimentada que usa a época e as suas características para se mover rapidamente, de cena de acção em cena de acção. Não é uma série de introspecção e caracterização de personagens, não é uma história com grandes objectivos emocionais ou pausada. A linha narrativa é basicamente dividada em duas partes, mas ambas com detalhes bastante violentos.

Esta sucessão sem descanso leva a alguma insensibilização por parte do leitor em relação à violência da história, que vai escalando na apresentação de corpos decepados com detalhes sórdidos. Esta insensibilização também é fruto da forma como as personagens são retratadas, com o mínimo de detalhes – apenas o suficiente para percebermos algumas das suas motivações, como se tivessemos a assistir a um filme e sem acesso a perspectivas ou pensamentos.

Conclusão

Moonshine é uma série que se sustenta pela sucessão de episódios violentos e se distingue por acrescentar criaturas sobrenaturais a um enquadramento já de si violento, ao se colocar durante a Lei Seca e entre os gangsters que faziam contrabando de bebidas alcóolicas. O visual de Risso ajuda, com os seus jogos de sombras e detalhes sanguinários. O resultado é uma série extremamente movimentada e pesada em violência, uma boa leitura para quem gosta (como eu, por vezes) deste estilo.

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