
Eis mais uma banda desenhada de João Sequeira, autor de Estômago Animal ou Lugar Maldito, neste caso uma adaptação de um conto de Rui Cardoso Martins, lançada pela editora Polvo. O Progresso da humanidade é um pequeno volume em capa dura, com uma história curta, mas simultaneamente visceral e irónica.



A narrativa centra-se em Oliveira, um homem que morreu em circunstâncias desconhecidas, mas violentas, seguindo os momentos que antecedem à sua morte, a partir do diário. Aqui descreve-se a passagem em Santa Comba Dão para visitar o espaço onde terá habitado Salazar, bem como um encontro com outros elementos de extrema direita – um grupo onde acreditava ter acreditado semelhantes, até perceber que há outros factores que os distanciam.
Afastado da família, em licença sem vencimento, antes de partir do quarto alugado, Oliveira parece estar a lançar-se para uma nova existência, onde aspira por uma nova ordem, inspirando-se na suposta pureza de tempos idos. Assim acaba em Espanha com o objectivo de se juntar a possíveis semelhantes em pensamento.



O progresso é cómico, apesar da finalização trágica e visceral. Ao seguir os seus ideais de ordem, autenticidade e virtude confronta-se com uma vertente mais carnal destas idealizações, e acaba a tentar redescobrir um estado mais primitivo num local isolado e mais natural. Demasiado, diria. O resultado é divertido pela ironia apresentada, ridicularizando uma tendência dos tempos.