Pavane – Keith Roberts

E se… em Inglaterra a Rainha Isabel tivesse perecido antes de vencida a Grande Armada, sendo o país conquistado pelos espanhóis e subjugado à Igreja Católica? E se o poder da Santa Igreja nunca tivesse esmorecido e a Inquisição continuasse a queimar e a torturar inocentes por vários séculos mais?

Tal como Harry Turtledove em O Dilema de Shakespeare, Keith Roberts explora o cenário inglês sob o domínio católico. Mas se, no primeiro, se explora a premissa em torno da personagem que deu o nome ao livro, em Pavane, após uma breve descrição dos acontecimentos, somos levados a um século XX em que persiste a sociedade feudal, e as inovações científicas são vistas como blasfémias e necromancia.

Keith Roberts não se limita a contar uma história, mas sim sete, o que permite conhecer diferentes facetas da estranha sociedade que se desenvolveu ao longo dos séculos sob a soberania da Igreja Católica e da sua temida Inquisição. Murmura-se, no entanto, sobre uma revolta.

Na primeira história, The Lady Margaret, conhecemos o jovem Strange que recentemente herdou uma pequena transportadora, constituída por comboios que não circulam sob carris. Esta história introduz-nos no mundo estranho que se tornou Inglaterra, onde ainda se acredita piamente na presença do povo das fadas. Em The Signaller acompanhamos uma criança que cedo descobriu o seu futuro – pertencer aos sinaleiros, uma Ordem responsável por manter um método primitivo de comunicação à distância. Por sua vez, Brother John é a história de um frade, de humiledes origines que terá seguido a vida monástica pela sua vocação artística. É por esta faceta que é requisitado ao centro da actual Inquisição onde assiste à tortura de vários inocentes.

Algumas das histórias interligam-se: são-nos relatadas algumas gerações da família Strange, que servem para ilustrar a evolução de Inglaterra nesses poucos anos, em que se fala sorrateiramente de liberdade e autonomia da Igreja Católica.

Pavane é, para além de uns melhores livros de história alternativa que já li, uma obra que retrata, com coerência, um mundo que podia ter existido Se.

A maioria das histórias que constituem Pavane foram inicialmente publicadas pela Science Fantasy, posteriormente reunidas num único volume. A versão que tive oportunidade de ler pertence à colecção Scfi Masterworks da Gollancz, mas a obra foi já traduzida e publicada, sob o nome Pavana, em Portugal, pela Saída de Emergência.

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