Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário (parte I)

Género de ficção especulativa, o Steampunk reúne elementos de fantasia e ficção científica, constituindo normalmente uma história alternativa no século XIX, na época Victoriana, onde existirão máquinas movidas a vapor mais avançadas do que na realidade existiram. Entre estas invenções podemos encontrar dirigíveis ou submarinos, referências a Wells ou Verne.

Para além de género literário, o Steampunk tem influenciado algumas criações artísticas, dando origem a mobiliário ou relógios e computadores modificados onde, sob uma camada de madeira e vidro, podemos visualizar engrenagens fascinantes compostas por roldanas e botões.

No seguimento do espírito Steampunk a editora Tarja organizou uma antologia de contos brasileiros, com o nome do género. São ao todo 9 histórias, nem todas excelentes, mas todas acima da média.

O livro inicia-se com O Assalto ao Trem Pagador,  de Gianpaolo Celli, uma história que reúne um trio de inventores, cada um representante de uma sociedade secreta diferente, seleccionados pelas capacidade inventivas, numa perigosa missão que tem como objectivo a unificação da Alemanha. Decorrendo a dois tempos, entre a concretização da missão e os eventos que antecederam a aventura, O Assalto ao Trem Pagador é uma aventura divertida. 

Segue-se Uma Breve História da Maquinidade de Fábio Fernandes, um conto em torno de Frankenstein, em que o doutor terá construído, desta vez, um robot, um escravo mecânico. Mas estes não são meros seres inconscientes, antes máquinas que, à semelhança do proletariado, se revolta para exigir estatutos próprios. Uma breve história inteligente que não deixa de lado a ironia.

A Flor do Estrume de António Luiz M. C. Costa não se centra em invenções de metal movidas a vapor, antes em avanços científicos na área da medicina, a descoberta da penicilina e da pílula, sem faltar o preservativo, descobertas estas para as quais se prevê uma resistência religiosa. Por essa razão os cientistas responsáveis pelas descobertas decidem reunir uma série de personalidades proeminentes que ajudarão na publicidade dos novos produtos. Este é um conto que se torna mais engraçado pelas descobertas científicas que debate do que pela história em si.

Alexandre Lancaster é o autor do conto A Música das Esferas, uma história em torno de um rapaz, Adriano, que ao retornar à terra de origem pára no Rio de Janeiro para descansar, e aproveitar para se encontrar com um amigo de infância, Eduardo, que é agora jornalista. Durante o primeiro encontro Eduardo convence Adriano a, como cientista acompanhá-lo ao velório de um importante cientista. Com o objectivo de escrever um artigo, Eduardo descobre que o homem que se diz sócio do falecido cientista, deverá ser antes um ajudante oportunista e entre os papéis deixados no laboratório Adriano descobre a verdadeira causa da morte, provocada por uma invenção que irá ser exibida publicamente, o que poderá causar uma catástrofe. Movimentada, leve e divertida, A Música das Esferas é uma história agradável em torno de duas personagens de filosofias bem distintas: Adriano sonha constantemente com as suas invenções, enquanto Eduardo se limita a ser prático e a aproveitar as circunstâncias.

5 pensamentos sobre “Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário (parte I)

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