Fome, de Elise Blackwell, é o primeiro livro do monte. Publicado pela Livros da Areia, e traduzido por Safaa Dib, esta é uma visão original, mas marcante, de Leninegrado durante a Guerra, uma leitura excelente, sobre a qual irei escrever algo mais nos próximos dias. Volume pequeno de edição cuidada, deixo aqui a sinopse:

Leninegrado, 1942. O cerco das tropas de Hitler vai obrigar os homens e as mulheres da cidade a compromissos e sacrifícios para além dos limites do admissível. No Instituto Botânico, Alena e outros cientistas juram protecção às sementes raras, mesmo na iminência da grande fome. Mas o marido de Alena, o nosso cuidadoso narrador, não está tão seguro assim… E quem consegue responder com segurança à pergunta: o amor e a honra podem mais do que a fome?

Descrito ora como uma paródia a Heart of Darkness, ora como uma aventura ao estilo de Júlio Verne e Wells, Pandora en el Congo é uma junção de estilos e géneros que se torna, segundo algumas críticas cansativo, segundo outras sublime. Como é habitual, é exactamente desta disparidade de consenso que nasce a curiosidade:

Thomas Thompson, un oscuro escritor que malvive escribiendo las novelas de aventuras con las que otros ganan fama y fortuna, recibe el encargo más extraño de su vida: escribir el alegato de defensa de Marcus Garvey, un hombre sobre el que pende una condena de muerte por el asesinato, en el corazón de África, de los hermanos Craver. En las profundidades de la selva del Congo, alejados de toda civilización, han tenido lugar hechos extraños, se han escuchado ruidos indescriptibles, se han anudado relaciones misteriosas e imposibles y han aparecido seres monstruosos. Entre la fascinación y el terror, Thompson se convertirá en el notario de una historia tan turbadora como terrible.

Figura literária pouco sociável, Thomas Ligotti é um conhecido escritor de horror, que costuma evitar cenas de violência explícita, preferindo desenvolver uma atmosfera negra e inquietante, com subtileza e repetição. Nalgumas histórias podemos encontrar referências a Edgar Allan Poe ou H. P. Lovecraft. My Work Is Not Yet Done é um conjunto de três histórias em torno da burecracia e da desumanização do local de trabalho:

The bureaucracy of the modern office and the dehumanization of workplace drones are fodder for surreal black comedy in this triptych of tales from horror master Ligotti (The Nightmare Factory). Each of the selections resonates with echoes of Kafka and Orwell in its elaboration of the daily work grind as a disturbingly credible metaphor for universal entropy. (…)

As Ligotti depicts it, the modern workplace is an infernal realm where illogical demands are clues to an inscrutable malevolent scheme, and where terms like “reorganization,” “relocation” and “product” have sinister talismanic meaning. There is little balm in these stories for the overworked, but enough dark satire to make the reader cringe in agreement.

Pretty Monsters é a história com que Kelly Link ganhou o prémio Locus, dando título à colecção de histórias juvenis onde se misturam histórias de fadas, fantasia, horror e mitos. O conteúdo desta pequena antologia pode ser consultado no próprio site da autora. Aqui fica a sinopse que me despertou o interesse:

Through the lens of Link’s vivid imagination, nothing is what it seems, and everything deserves a second look. From the multiple award-winning ‘The Faery Handbag,’ in which a teenager’s grandmother carries an entire village (or is it a man-eating dog?) in her handbag, to the near-future of ‘The Surfer,’ whose narrator (a soccer-playing skeptic) waits with a planeload of refugees for the aliens to arrive, Link’s stories are funny and full of unexpected insights and skewed perspectives on the world.

Blending fairytale, fantasy, horror, myth and mischief in a delicious cocktail, Kelly Link creates a world like no other, where ghosts of girlfriends past rub up against Scrabble-loving grandmothers with terrifying magic handbags, wizards sit alongside morbid babysitters, and we encounter a people-eating monster who claims to have a sense of humour. With more than a pinch of macabre humour, this is writing to come back from the dead for.

Os dois últimos livros foram já alvo de comentário aqui no blog, A Floresta de Mãos e Dentes é um romance juvenil de zombies com algumas ideias interessantes e um desenrolar algo diferente do comum. A Lança do Deserto é o segundo volume de uma trilogia viciante de Peter V . Brett, onde os demónios atacam os humanos todas as noites.