Fantasias Negras e Outras Histórias – Joel Puga

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Sob uma capa simples mas eficaz reunem-se cinco histórias do autor, cujos contos costumam aparecer em antologias do género como Lisboa no Ano 2000, ou Nanozine. A primeira história entitulada O Último pode ser encontrada gratuitamente em várias plataformas (mais detalhes sobre a disponibilização por mão do autor) e ainda que bem escrita, recorda mais um episódio de uma história maior do que uma história por si. Mas um bom episódio que transparece o tom melancólico e negro do conjunto que se nos apresenta.

Em Sasabonsam somos confrontados com uma história de guerra que me recordou, em linha condutora, Graves de Joe Haldeman. Mas se o conto do autor estrangeiro me tinha chateado pela forma pouco conclusiva com que termina, Sasabonsam consegue finalizar coerentemente num incidente irónico, depois de trechos de acção em que o desprendimento e selvajaria inicial dos guerrilheiros se transforma em temor ao confrontarem uma forma que pouco tem de humano.

Já a terceira história, O Castelo, foi a que menos gostei. Inicia-se com a ida à terra de um homem, pelo Natal, a convite do primo do qual tem poucas imagens agradáveis da infância. Mas a solidão em que ia passar este período festivo leva-o a aceitar o convite. À chegada não o espera a alegria da época, mas um pai nervoso e preocupado, que se prepara para pagar o resgate da filha raptada, esperando recuperá-la ilesa. Mantendo o tom negro do restante conjunto, desenrola-se num final expectável.

Susana é a penúltima história que acompanha o fantasma de uma rapariga enquanto esta recorda a sua vida miserável. De face carregada de cicatrizes, foi repudiada pelos pais e até pelo avô. As tentativas de se refugiar nos livros são marcadas pelo asco da bibliotecária. Finalmente, é expulsa de casa e obrigada a arranjar ocupação pouco honesta. Após tanto sofrimento, questiona-se sobre o seu destino eterno. História interessante e sofrida, termina numa reviravolta pesada e satisfatória.

Por último encontra-se o conto Uma demanda literária, que nos faz, também, pensar numa história mais longa do que aquela que se nos apresenta, uma história que gostaria de conhecer. Nesta um homem enfrenta várias provas para conseguir tesouros que lhe permitam adquirir mais uns volumes para a sua colecção, procurando agora o alfarrabista cuja loja se materializa em locais recônditos e isolados.

De tom negro envolvendo finais pouco esperançosos, esta colectãnea apresenta-nos histórias em que se sucedem as figuras demoníacas ou os vampiros tradicionais (e pouco românticos). De qualidade mais do que satisfatória, é um conjunto de histórias fantásticas que nada têm de juvenis, de perspectiva dura e final ainda mais penoso.

Ainda que não tenha gostado de todas as histórias da mesma forma, é bom ver que, no cenário português em que escasseiam os lançamentos de fantasia não juvenil, os autores não esmorecem e continuam a insistir no lançamento das suas obras, optando por formatos mais baratos e fáceis de difundir, como o formato digital. Para os que não se importam de ler neste formato, deixo as indicações do autor de como adquirir esta colectânea.

 

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