Últimas aquisições

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As passagens pela Fyodor Books continuam a fazer estragos! No topo encontram-se dois dos livros mais conhecidos de José Régio, Jogo da Cabra Cega e O Príncipe com Orelhas de Burro. Eis uma sinopse do primeiro, retirada do entrada no Goodreads (já que as que existem a acompanhar o livro na FNAC e afins falam do autor, mas nada do livro):

Obra em prosa, […], corresponde a uma das realizações literárias que melhor situam José Régio na modernidade. Apresenta-nos um narrador dotado de uma «tendência subjetivista» e melancólica que não resiste ao ensimesmamento e a indagar as subtis malhas que compõem o seu comportamento, perdendo-se em «jogos de imaginação» em que um eu se autoanalisa nas suas pequenas hipocrisias, escaninhos obscuros, fingimentos, desdobramentos, inquietações insólitas, decomposição de gestos e expressões. Esta análise de minudências, quase vertígica, dobra-se num barroquismo verbal que acompanha «as aracnídeas arquiteturas da […] imaginação» e a apresentação de pontos de vista divergentes sobre a realidade seguindo cada um quatro dos elementos (o Sombra, Luís Afonso, Pedro Serra e Jaime Franco) que compõem o pequeno cenáculo que protagoniza a narrativa. Assim, por exemplo, da oposição entre Jaime Franco e Luís Afonso, oposição que simbolicamente se eleva a conflito entre sinceridade e fingimento, surte uma conceção antitética de ironia, que pode ser entendida como chave de leitura deste Jogo psicológico da Cabra Cega: para aquele, «a verdadeira ironia brota da visão compreensiva dum conflito perpétuo, da apreensão simultânea de aspetos adversos em atividade… É pelo sentimento, pela paixão que se afirma ou se nega. É pela razão que se nem nega nem afirma. É pela inteligência, a verdadeira, que se aceita sem afirmar nem negar… […] Ele [o ironista] não só diz o contrário do que pensa! Pensa também o contrário do que pensa, e põe-se à margem da vida para a julgar de fora, compreendendo ao mesmo tempo que não pode sair da vida.»

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O Último Desejo de Andrzej Sapkowski e O Último Lobisomem de Glen Duncan são os dois volumes que aproveitei para adquirir numa das  mais recentes promoções da Editorial Presença, com preços bastante reduzidos, dois lançamentos fantásticos em Portugal. Andrzej Sapkowski é um dos autores convidados para a Eurocon de 2016 em Barcelona, tendo ganho o prémio David Gemmell, bem como vários prémios polacos pela sua ficção. Eis a sinopse de O Último Desejo:

Desde a década de 1990 que o bruxo Geralt de Rivia se tornou um dos heróis de culto na Europa de Leste, tendo passado rapidamente do âmbito literário, para o cinema, a televisão e até os jogos electrónicos. Sapkowski, o seu criador, senhor de um humor corrosivo e de uma escrita de características pós-modernas, é um admirável inovador da linguagem. O facto de se ter imposto num mercado onde domina o fantástico anglo-saxónico é por si só uma proeza, mas mais interessante foi ter rompido com os estereótipos do género. Para Spakowski, o norme é serem as princesas a assaltar os caminhos… Um livro que inspirou o jogo de vídeo “The Witcher”.

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Por sua vez, O Último Lobisomem de Glen Duncan, parece enquadrar-se num género que raramente leio, a fantasia urbana:

Jacob Marlowe é um lobisomem solitário, o último da sua espécie. Há duzentos anos que vagueia pelo mundo, escravo dos seus apetites ferinos, que o condenam a devorar um humano a cada nova lua cheia. Mesmo sabendo que irá pôr fim a uma lenda com milhares de anos, Jacob pensa no suicídio. No entanto, em breve Jacob descobre uma razão muito mais forte para querer continuar a viver, quando se apaixona por Tallulah, a última lobisomem. Sangrento, brilhante e sensual, este thriller, que reúne romance e mistério, impõe-se como uma nova e poderosa versão da lenda dos lobisomens.

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Sendo Umberto Eco um dos meus autores favoritos, claro que não poderia deixar escapar o seu mais recente lançamento, Número Zero, apesar de me parecer que esteja na mesma linha das obras que mais gosto do autor (Baudolino, por exemplo):

Um livro empolgante, de um escritor que dispensa apresentações! Este é um romance que não deixa ninguém indiferente à reflexão sobre os jornais e o jornalismo. Como cenário de fundo tem uma redacção de um jornal diário, que se está a constituir de modo apressado e por razões que menos se relacionam com o objectivo de preparar boa informação e mais respeitam à criação de uma «fachada» para servir interesses próprios. Neste caso, não os interesses dos jornalistas, poucos, relativamente mal pagos e com histórias de carreira onde o sucesso não tem tido lugar, mas sim os interesses de quem tem poder, dinheiro ou ambos. Poderá um órgão de comunicação social servir para ter os inimigos na mão e chegar aonde se quer? Um jornal que está a dar os primeiros passos muito tem para decidir. E esta obra de Umberto Eco torna-se, nesta vertente, numa espécie de «manual» de decisões onde a qualidade do produto final está mais arredada das preocupações do que seria desejável. Neste jornal, designado Amanhã, há espaço para criar notícias, reciclar notícias e encobrir notícias. Sendo esta uma obra de ficção, a leitura que pode ser feita do que lá se escreve vai além da boa leitura que a narrativa proporciona. Poder e jornalismo associam-se aqui a teorias da conspiração. Um redactor paranóico que anda pela Milão em que a história se passa, segue atrás de pistas que remontam ao fim da Segunda Guerra Mundial e, somando factos, chega a um complexo resultado que tem tudo para convencer. Começa pelo cadáver de um pseudo-Mussolini e segue pelos meandos da política, envolvendo o Vaticano, a máfia, os juízes e os serviços secretos.

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2 pensamentos sobre “Últimas aquisições

  1. Muito bom, Adorei, só não gosto de Umberto Eco, acho muito escroto, nunca li nem quero ler; parece ser daqueles que escrevem com um tipo de mistura de ciência, ficção e academismo, sei lá, o que é mas esse autor não me interessa.

  2. 🙂 “Felizmente” li os primeiros livros de Umberto Eco antes de ter acesso a internet ou qualquer ideia da personalidade – como tantos outros. pelo que dá para dissociar o autor da obra. Sim, ele mistura várias coisas. Os livros que gostei mais dele são os que misturam ficção histórica, com traços de fantasia / surreal e deambulação filosófica.
    É um problema da internet. Antigamente ia a uma livraria e pegava no livro com base apenas na sinopse e na capa. Ou em leituras anteriores do autor se tivesse sido o caso. Agora antes de pegar num livro tenho críticas, entrevistas, comparação com outros autores e o diabo a sete. Muitas vezes tento ignorar tudo isso, mas nem sempre dá 🙂

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