Lightspeed Magazine Volume 47

lightspeed magazine 47

Coordenada por John Joseph Adams (conhecido pela qualidade das antologias que organiza) esta edição da Lightspeed Magazine é dos melhores volumes que li de qualquer revista de ficção especulativa. Entre as re-edições e as novas publicações o nível de qualidade é bastante elevado, fazendo com que eu considere adquirir os restantes números organizados por John Joseph Adams.

Este volume começa com uma história de Linda Nagata, Codename:Delphi, uma história bélica em que uma mulher ajuda a coordenar, à distância, grupos de combate, analisando os dados obtidos por drones na área onde estes grupos se encontram. Coordenando não um, nem dois, mas vários grupos de combate torna-se um trabalho esgotante do qual apetece, por vezes, desistir. Sem ser o meu género de ficção científica, apresenta um cenário pouco distante da realidade actual, centrando na luta emocional de quem coordena estas regras. A história encontra-se disponível gratuitamente no site da Lightspeed Magazine.

codename

Imagem que acompanha o conto no site da editora http://www.lightspeedmagazine.com/fiction/codename-delphi/

Segue-se Francisca Montoya’s Almanac of Things that can kill you de Shaenon K. Garrity, um conto pós-apocalíptico que se apresenta num formato interessante – um misto de almanaque com diário onde quem o escreve lista as coisas que, neste mundo podem matar uma pessoa – nalgumas descreve tratamentos ou probabilidades, salientando aquelas em que, antigamente, antes da queda da civilização, seria raro falecer.

Complex God de Scott Sigler é um excelente conto irónico em que uma cientista, com recurso a pequenos robots espera limpar uma cidade do lixo radioactivo. Estes pequenos robots terão capacidade de aprendizagem e de cooperarem entre si para tarefas mais difíceis (do ponto de vista físico ou intelectual). Sendo a responsável pela solução barata e inovadora, a cientista espera colher os louros das melhores ambientais. Apesar de ter um desenvolvimento algo expectável (entre o título e a capacidade de aprendizagem / pensamento dos robots está-se mesmo a ver o rumo) consegue ser interessante pela forma como se apresenta.

Recentemente Ted Chiang tornou-se um dos meus escritores de ficção científica favoritos. Contos inteligentes com uma grande componente científica ou tecnológica que se desenvolvem logicamente a partir de premissas simples. Este volume tem um conto do autor, Exhalation que, infelizmente já tinha lido na antologia de contos.

O primeiro conto de fantasia é, a meu ver, o mais fraquito. Observations about eggs from the man sitting next to me on a flight from Chicago, Illinois to Cedar Rapids, Iowa de Carmen Maria Machado é exactamente o que o título descreve, observações disconexas sobre ovos, lançadas de forma estranha. Receitas entrelaçadas com conversa e observações fantasiosas sobre estados de um ovo que não existem.

A segunda história é, novamente, excelente, conforme detalhei em entrada própria no blog. The Day the world turned upside down de Thomas Olde Heuvelt centra-se num jovem que tenta encontrar a ex-namorada num mundo em que a gravidade o virou do avesso. Assim, tudo o que se encontrava na fase do planeta e não estava firmemente agarrado ao solo foi cuspido. Safaram-se algumas pessoas que estavam dentro das casas. Conto fantasioso, é interessante pela situação retratada acompanhando um jovem que pouco tem de herói.

Alsiso de K. J. Bishop consegue ser uma história simples mas extraordinária acompanhando a evolução do nome utilizado por um assassino desconhecido que se foi transformando em figura de carnavais e teatros. Figura anónima mas romanceada até à exaustão que passa por períodos de esquecimento apenas para ser reavivada de forma ainda mais romanbolesca.

A próxima história é de C.J. Cherryh, The only death in the city que acompanha uma civilização humana que se terá recolhido às profundezas da terra, escavando novos níveis subterrâneos sempre que surge a necessidade de expansão. Civilização decadente onde não há novas invenções e onde as pessoas renascem recordando as vidas antepassadas, podendo continuá-las. Após centenas de reencarnações os laços criados em vidas anteriores são mais fortes do que as da família e, assim que o bebé consegue falar, afirma a sua proveniência para que possa ser encaminhado para o clã. Neste mundo gasto de ciclos repetitivos, nasce uma nova alma, a única criança que é verdadeiramente criança e que por isso é tratado com condescendência por todos. Uma excelente história fantásticas que cativa quer em ideias, quer em desenvolvimento das mesmas, conseguindo tornar-se inovadora.

Polyphemus

The Autopsy de Michael Shea é uma das grandes histórias deste volume, a reedição de um clássico que mistura horror com ficção científica acompanhando um médico legista que está a autopsiar cadáveres que sofreram uma morte misteriosa. Uma história bem longa que vai criando momento e inquietação, enquanto, cadáver atrás de cadáver, o médico se começa a aperceber de algo comum a todos eles. Sem pressas mas premeditado, consegue criar, sem muitos elementos, um cenário de forte horror.

Depois de alguns excertos (que nunca leio) e de entrevistas (que raramente me interessam) segue-se a galeria do artista responsável pela capa, Rémi Le Capon, com arte de vários géneros onde, na maioria, se denota um contraste entre as zonas escuras e difusas e as zonas luminosas de maior detalhe, criando imagens muito centradas nas figuras principais e pouco detalhadas nos cenários. No portfolio encontram alguma das imagens publicadas nesta revista.

3 pensamentos sobre “Lightspeed Magazine Volume 47

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