Lightspeed Magazine – Abril de 2015

lightspeed april 2015

Depois de vários meses a entregar histórias extraordinárias nas edições anteriores (Abril de 2014, Fevereiro de 2015, Dezembro de 2012)  , tanto de autores conhecidos como de novos autores, eis um volume que me desiludiu bastante, destacando-se apenas pelo bom conto de Ken Liu. A maioria dos contos são vagos, sem estrutura definida nem fio condutor na história (princípio, meio e fim), o que não costuma ser comum nos conjuntos organizados por John Joseph Adams.

The Universe, sung in stars de Kat Howard abre a secção de ficção científica. Possuindo uma ideia interessante, diria que se trata de um misto de ficção científica com fantasia. Nesta história as pessoas podem cuidar de pequenos bolsos onde residem estrelas ou sistemas, ajudando no seu desenvolvimento e estabilidade através de música. A ideia poética é esticada em máximo sem grande exploração de personagens ou de outros conceitos.

the universe

(retirado do conto online na Lightspeed Magazine)

Em The invisible hand rolls the dice de Carolyn Ives Gilman, o conceito não é novo. A importância de cada pessoa é analisada pelo seu potencial de consumo, e é através deste que se sobem escalões sociais. Lee Pao Nelson é um homem jovem de escalão mediano que segue a publicidade a uma jovem que parece tudo o que deseja. Depois de seguir a publicidade, contente pela nova aquisição, sobe de escalão social e a aquisição transforma-se numa inconveniência, uma indiscrição condenável no novo estatuto. Apesar de bem escrito e coeso, não inova em conceito ou desenvolvimento e o final mais figurativo do que palpável deixou-me uma sensação de desagrado.

Quiet town de Jason Gurley é um conto apocalíptico razoável. Naquela vila demasiado sossegada vamo-nos apercebendo que os poucos habitantes vivem no limite. Negando-se a ser evacuados, assistem ao lento subir das águas com as consequências previsíveis. Com nota alta pela forma como nos vai revelando o enquadramento da história, falha em criar empatia pelas personagens, terminando de forma pouco conclusiva.

A última história da secção de ficção científica é The Birds and the Bees and the Gasoline Trees de John Barnes, uma história que me deixou com sensações opostas, apesar de possuir bons e originais elementos. Nesta realidade existem alguns, poucos, seres semelhantes aos humanos, feitos em laboratório para aguentarem condições adversas mas terem, ainda assim, sentimentos e necessidades humanas.

Sim, existe preconceito para com estes seres superiores, mas na história este é rapidamente posto de lado após duas ou três interacções sociais. Talvez seja a minha falta de fé na humanidade, mas achei inverosímil a rapidez com que se eliminou um conflito aparente entre este ser e os humanos, enfiados num submarino durante alguns dias.  E o que estão todos a fazer? A investigar o destino de centenas de animais marinhos que estão a desaparecer rapidamente. Investigação que só poderia ser realizada pelo ser superior.

Wolf illustration. Tattoo design over grey background. textured backdrop. Artistic image

Wolf illustration. Tattoo design over grey background. textured backdrop. Artistic image  (retirado do conto online na Lightspeed Magazine)

Passemos à secção de fantasia com A Wolf in Iceland is the Child of a Lie de Sonya Taafle. Uma história que parece um misto entre um sonho e a neblina, onde nada é concreto e a personagem narradora parece ter fortes recalcamentos emocionais em relação à mãe. A história é contada como uma memória de uma viagem partilhada com um amante misterioso e termina sem grandes consequências ou acções.

We’ll be together forever de Joseph Allen Hill é uma pequena história de amor, em que o rapaz, ansioso por dar o próximo passo na relação, prepara um feitiço para fortalecer a relação. O feitiço muda o encontro daquela noite, mas não da forma desejada. Trata-se de um episódio com detalhes a roçar o ridículo que poderia ter-se safado se tivesse envolvido o leitor, o que não foi o caso.

Portrait of a Black Bear Skull

Portrait of a Black Bear Skull (retirado do conto online na Lightspeed Magazine)

O conto seguinte é o melhor do conjunto, The Ussuri Bear de Ken Liu. Uma história futurística com traços fantásticos, onde uma expedição procura, numa localidade inóspita, os ursos inteligentes, adorados como deuses, que terão sido responsáveis pela chacina de uma aldeia. Um dos exploradores estará numa cruzada pessoal, dado que tanto a família como o braço terão sido perdidos para estes seres sobrenaturais. História cativante, consegue suspender a previsibilidade e surpreender o leitor.

Em The Ministry of the eye de Dale Dailey encontramos uma distopia em que tudo o que é belo e criativo é proibido. Informadores da autoridade desconhecida estão por todo o lado e a produção de qualquer item ou qualquer cor que embeleze ou decore são puníveis.

A novela desta edição é da autoria de Kate Elliott, On the Dying winds of the old year and the birthing winds of the new, que já tinha tido oportunidade de ler na antologia The Very Best of Kate Elliott.

Um pensamento sobre “Lightspeed Magazine – Abril de 2015

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