O museu do terror – Duda Falcão

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Livros sobre outros livros e histórias contendo elementos de outras histórias são normalmente o tipo de leitura que me agrada. Não é, assim, de estranhar que, depois de ter lido A Criatura do Travesseiro (conto publicado na colecção Barbante), tenha pesquisado mais sobre o autor, Duda Falcão.

É que o conto transforma a famosa história de Horácio Quiroga, Travesseiro de Penas, modificando o desenrolar que nos leva à realidade ficcional criada por Duda Falcão com o Museu do Terror. Como o nome indica, nesta realidade existirá um museu onde se reúnem elementos de horror existentes nos mais clássicos contos de horror.

Decerto existiram outras histórias relacionadas com o Museu. E assim é. Depois de ter questionado o autor, este enviou-me o livro onde se encontram mais dois contos sobre O Museu do Terror. Assim que peguei no livro reparei no peculiar aspecto gráfico, extraordinário no género que se insere, detalhe que é comum a várias edições brasileiras (sobre este aspecto gráfico das edições brasileiras estou a programar um pequeno artigo com fotos exemplificativas – este vai decerto integrar tal artigo pelos vários detalhes).

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Os dois contos presente neste livro são Museu do Terror e Relíquia. No primeiro o pai cede aos pedidos da filha para visitar o museu e acaba ele próprio aterrorizado. Como no conto publicado na colecção Barbante é de destacar os detalhes sobre criaturas retiradas dos mais diversos contos de horror, como o Horla presente numa história de Guy de Maupassant (elemento contra qual o pai pensa reclamar por nada ver dentro da vitrine), a mão do macaco ou o diário de Renfield. Detalhes perdidos sem dúvida pelo pai que pouco parece saber sobre literatura, percebendo, demasiado tarde, a sombra dos elementos).

O segundo, Relíquia, apresenta-nos o dono do museu, um homem culto que viajará entre realidades ficcionais a fim de recolher os vários elementos para a exposição. Neste conto explica calmamente, a um rapaz curioso, como obteve um dos elementos, Pluto, o gato preto de Edgar Allan Poe.

Os três contos completam-se na criação da realidade apresentando-nos, em conjunto, tanto a faceta da visita ao museu como a da recolha dos elementos fantásticos que o compõem. Neste sentido, o mais completo será o último que é um intermédio de ambas (conta a recolha de um elemento e mostra a visita de um visitante incauto). Sem dúvida uma leitura divertida, que ganha dimensão pelas referências cruzadas, apoiando-se em obras conhecidas para deixar pequenas piadas sombrias.

Sobre os restantes contos presentes no livro, falarei mais tarde, quando o terminar, mas é de destacar as ligações que utiliza com os clássicos do género, onde é bastante comum Poe.

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