Ruins – Peter Kuper

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O que me captou foi o aspecto gráfico, tanto da capa como do interior, que vai alternando entre vívidas imagens das cidades sul americanas, com a viagem de uma borboleta, e trechos de um livro que está a ser escrito envolvendo as civilizações nativas.

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A história centra-se num casal que se muda, por um ano, para o México, para a cidade de Oaxaca. O homem, George, acabou de ficar desempregado e a mulher, Samantha, aproveita a escrita de um novo livro como desculpa para retornar ao país que recorda vivamente – um ano para relaxar e concretizar alguns planos há muito estagnados.

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Cedo nos apercebemos da ruptura latente do casal. A mulher vive obcecada entre o livro e a perspectiva de engravidar e, apesar de se deslocarem à cidade diversas vezes, raramente o fazem em conjunto ou se mantém juntos na exploração da cidade – há sempre uma razão para fazerem vidas totalmente separadas na mesma casa.

Não é, assim, de estranhar, que a experiência da viagem seja bastante diferente, e até oposta, ainda que, para ambos, se torne uma viagem de revelação interior e de descoberta do que pretendem para si mesmos – o homem redescobre lentamente o interesse pelas artes, e a esposa relembra velhas paixões.

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Apesar de se centrar na vivência do casal, a história possui outros níveis de interesses. Por um lado vamos vendo planos que se referem às civilizações sul-americanas e que corresponderão a trechos do livro a ser escrito. Por outro, vamos assistindo à caricatura da cultura mexicana, onde se faz também uma crítica política ao sistema – as grandes manifestações dão origem a confrontos policias, mediáticas notícias mas efémeras que são substituídas por notícias de manipulação de opinião, e consequentemente esquecimento internacional – morrem alguns manifestantes mas tudo o resto permanece estático.

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Nas suas deambulações pela cidade George conhece um repórter internacional que se entrega diariamente à bebida. Mas é através deste que conhece uma outra perspectiva da cidade mexicana e se apercebe dos problemas sociais e dos motivos por detrás das manifestações, enquanto a paz dos jardins idílicos da cidade dá lugar à opressão.

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Viagem de exploração cultural, mas também de descoberta interior, vai sendo acompanhada pela viagem de uma borboleta que viaja pelo mundo, na sua habitual peregrinação anual.

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Sem ser extraordinário, é uma leitura engraçada, carregada de detalhes interessantes, tanto a nível cultural como relacional. São óbvios os sinais de ruptura acumulados, seja ruptura cultura, seja amorosa, mas não estando perante um grande drama a história não toma contornos sangrentos. Existem consequências, mas essas irão sarar lentamente.

Um pensamento sobre “Ruins – Peter Kuper

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