Mr Punch – Neil Gaiman e Dave McKean

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Engraçado como conseguimos encontrar referências semelhantes ou ideias parecidas, em leituras teoricamente bastante distintas e pouco relacionadas, ou que diria terem como único ponto de relação o terem sido lidas pela mesma pessoa num curto espaço de tempo.

É o caso deste Mr. Punch e de Emphyrio de Jack Vance, ambos referindo espectáculos de marionetas para despertarem histórias trágicas da realidade humana em crianças, ainda que de formas bastante distintas.

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Partilhando esta curiosidade, tenho a dizer que este foi dos livros de Neil Gaiman que menos me fascinou. Como já tenho referido noutros comentários a livros do autor, o que normalmente me cativa nas suas obras é a extraordinária capacidade que tem para a caracterização de personagens, mostrando-as manientas e assombradas mas mesmo assim compreensíveis por alguma parte menos sana do nosso cérebro.

Com noutros livros de imagens do autor, opta-se por personagens de papel, uma bidimensionalidade que neste caso não funcionou comigo a nível gráfico. O detalhe mais interessante é que as marionetas parecem mais reais e focadas do que as personagens de carne e osso – aspecto interessante do ponto de vista simbólico quando percebemos que são as marionetas que despertam para o lado feio da realidade.

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Muitas vezes as memórias da infância estão protegidas por uma capa de inocência que apenas percebemos muitos anos depois, quando algo nos relembra que… se calhar… havia algo mais por detrás daquele episódio estranho. É o caso da história de Mr. Punch onde um rapaz passa umas semanas com os avôs e o tio, percebendo anos depois que estas terão sido umas férias ainda mais desastrosas do que aquilo que pensava.

Irritou-me o cenário, a suposta inocência infantil (que normalmente é uma capa mas não impede que a criança perceba, apenas que enfrente a recordação) e não me chocaram os supostos episódios terríveis que circundam a história familiar do rapaz. Ou talvez seja mesmo por não me terem chocado os episódios que o resto se desfez, não me cativando.

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Imagens contendo fantoches, desenhos sombrios de imagens quase reais e alguns recortes que nos fazem desconfiar da inocência, escondem recordações transformadas em sonhos ou pesadelos no limite da realidade, acontecimentos sombrios na aura infantil. Este é um estilo que até pode funcionar quase bem quando se lê o primeiro, mas depois de conhecer e reconhecer a construção, torna-se cansativo e previsível. Se o estilo não funcionou totalmente noutros livros do autor (como Mirror Mask) neste, de história mais simples, não me convenceu.

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