A.D. After Death – Scott Snyder e Jeff Lemire

Conhecido por American Vampire (série com a qual ganhou alguns dos prémios mais interessantes da banda desenhada), Scott Snyder é, também, o autor de Wytches, uma das melhores obras de banda desenhada de horror que tive oportunidade de ler. Por sua vez, Jeff Lemire é o autor da fabulosa série de ficção científica Descender e participa aqui como desenhador no seu estilo inconfundível, tanto a nível de expressividade, como de coloração.

Agora homem feito, a personagem principal é um ladrão profissional, uma profissão menos glamorosa do que seria de esperar, sem grandes episódios de acção, que se baseia, sobretudo, numa boa capacidade de efectuar planos e uma grande lata. Esta profissão valeu-lhe um lugar na cidade do futuro, uma cidade onde não existem doenças ou envelhecimento e se vive para sempre. Utópico? Nem tanto. O preço a pagar é a memória que persiste apenas por pouco mais do que uma década.

Tendo crescido traumatizado pela morte repentina da mãe, vítima de uma doença rápida e progressivamente incapacitante, este homem não cede logo à utopia que lhe apresentam, e continua, inquieto, em busca de algo que possa ter sobrevivido no mundo que circundaria a cidade perfeita. Enquanto os restantes vão vivendo vidas diversas, aproveitando a curta memória que possuem para se reconstruírem, a nossa personagem angustia-se e dedica-se ao que parece ser uma causa perdida.

Explorando uma personagem peculiar, pouco linear em perspectiva, mais revolucionário do que seria de esperar, sem a mentalidade de ovelha que o poderia fazer seguir cegamente o caminho da felicidade que lhe é oferecido, parece encontrar-se num beco sem saída de angústia e depressão, uma luta na qual envereda sozinho.

Apesar da premissa pouco original torna-se interessante pela abordagem, não só pela personagem principal que foge a qualquer rumo esperado pelo leitor, como pela forma como é descoberto o elixir da juventude que causa o fim da humanidade enquanto sociedade em progresso. A falta de memória a que leva o elixir é um elemento interessante, mas também aquele que leva a um final algo cliché, um ponto de decisão que se pode tornar catastrófico.

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