A Balada do Mar Salgado – Hugo Pratt

Este é, dos álbuns que já li de Corto Maltese, aquele que melhor apresenta o mítico espírito aventureiro que me descreveram. Aqui Corto Maltese é uma espécie de pirata. Mas não um pirata qualquer, um pirata honrado mas que não conseguiu conter uma revolta dos seus marinheiros que lhe ficaram com o barco.

E assim que acaba a bordo do barco de Rasputine, outro capitão pirata a mando do famoso Monge, onde encontra dois jovens que foram recolhidos como náufragos. Sendo os dois jovens de famílias abastadas, Rasputine espera recolher um bom resgate, principalmente pela rapariga. O rapaz pode tornar-se mais problemático e Rasputine estaria pronto a eliminá-lo, não fosse a intervenção de Corto Maltese.

Ainda que compactue com a pirataria de Rasputine, Corto Maltese consegue intervir para impedir que a violência escale, acompanhando os jovens, sem os deixar fugir, mas também evitando que sejam mal tratados. Em contrapartida, quando são todos capturados por tribos locais será Corto Maltese que será salvo.

Ainda assim, o relacionamento entre os jovens e Corto Maltese é agridoce. Os jovens nem sempre percebem o papel de Corto, ou o seu tom irónico que denota uma vida de experiência. Principalmente o jovem rapaz que tenta aproveitar todas as situações para se afirmar, tomando atitudes idiotas e impulsivas.

Paisagens exóticas e comportamentos misteriosos – este volume decorre num local pouco conhecido onde ainda habitam vários tribos de rituais próprios, algumas com fama canibal, local que Umberto Eco se encarrega de apresentar, numa esplêndida introdução. Trata-se de um local privilegiado para ainda ser pirata e para que se efectuem algumas manobras bélicas pelas potências em guerra.

A Balada do Mar Salgado apresenta uma história carregada de enigmas, alguns que não se chegam a explorar, fazem parte do contexto, e outros que são necessários para o desenrolar inevitável dos acontecimentos. Corto Maltese continua misterioso, expressando-se apenas quando é mesmo necessário, mas mostrando, nas suas intervenções, uma boa capacidade de observação e entendimento, elementos que se vão revelar necessários para se desenvencilhar das situações difíceis em que se coloca.

A Balada do Mar Salgado foi publicado em Portugal pela Arte de Autor.

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