O Último reino – Bernard Cornwell

Há algum tempo que não lia nada de Bernard Cornwell. Bem, pelas minhas contas, há 12 anos, pelo comentário que fiz no, agora menos movimentado, fórum Bad Books Don’t Exist. Na época li quase tudo o que tinha sido publicado do autor (menos a série Sharpe que não me pareceu tão interessante) e este, por ainda não estar lançada toda a série. Eis que retorno, no seguimento de me terem oferecido a trilogia pelo Natal.

O que encontrei foi mais ou menos o que me recordava. Bernard Cornwell consegue remeter-nos para a época, sem mostrar embelezamentos românticos (esqueçam a frequência de banhos e os bons odores, os cavaleiros daquela época eram essencialmente, feios, porcos e maus), com carnificinas frequentes e dando especial ênfase à componente estratégica, tanto bélica como política.

A personagem principal é um senhor, Uhtred, que, em criança, vê o pai ser morto num escudo contra os vikings. Guerreiros destemidos e provenientes de uma terra mais pobre, os vikings rapidamente conquistam território atrás de território, avançando com rapidez e impondo-se pelo medo. Uhtred é dos poucos que tenta fazer frente a um Chefe Viking que, vendo apenas uma criança com uma arma precária, percebe que o poderá tornar um guerreiro e adopta-o.

Pagãos, adoradores dos vários deuses que compõem a sua mitologia, num género de religião que impõe vários elementos de superstição, os Vikings sentem como fraqueza a religião cristã que atribui a culpa pelos bons momentos (seja o envolvimento com mulheres, sejam os banquetes repletos de iguarias e bebidas) e zombam principalmente dos seus padres, homens feitos que não pegam em armas e falam em milagres que ninguém vê.

Adoptado por um dos principais chefes Vikings mas pertencente à nobreza de Inglaterra, Uhtred encontra-se numa situação privilegiada, o que não escapa a alguns dos jovens que com ele crescem e se decidem a torná-lo inimigo. Felizmente Uhtred é amigo do filho do chefe, um rapaz de saúde fraca, que o acompanha em todos os momentos. Ao longo desta infância marcada pelos Vikings Uhtred forma-se um formidável guerreiro que vai estar dividido entre os dois lados desta violenta guerra.

Centrado numa única personagem que já sabe o desenlace desta parte da sua história e que, por vezes, dá palpites para o que se seguirá, expressando saudade e nostalgia, O Último Reino centra-se na perspectiva Viking, sem esquecer os acontecimentos saxões e a estratégia que montavam para repudiar a invasão. Pelo caminho alguns homens mudam constantemente de lado, tentando sobreviver e enriquecer, ao mesmo tempo que condenam familiares à morte para garantirem a herança pela sua descendência.

Movimentado e sem perspectivas românticas (excepto aquelas conferidas pela personagem em tom de nostalgia) O Último Reino é um relato em primeira pessoa que se preocupa em caracterizar ambos os lados e em analisar as estratégias tomadas por ambos os exércitos nas várias batalhas que apresenta.

A série foi adaptada para série televisiva com o mesmo título (O último reino) pela BBC. O último reino foi publicado em Portugal pela Saída de Emergência.

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4 pensamentos sobre “O Último reino – Bernard Cornwell

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